Cicatriz x Verão – O que fazer?

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Só de olhar pra essa foto (tirada em Maceió-AL, em 2011… eu acho) já bate aquela vontade de colocar o biquíni e sair correndo em direção a um dia de mar, sol e água fresca. Mas aí tem um certo fator bem no seu pescoço que insiste em lhe preocupar. O que fazer para proteger o local e garantir o bom andamento da cicatrização? 

Minha primeira dica é: calma. Isso mesmo. Fiz a cirurgia em agosto e só em dezembro pisei na praia. Pode parecer um tempo meio exagerado, mas quis garantir que tudo estaria pronto para receber a cola do micropore, a água do mar, o suor e as grossas camadas de protetor solar. Lenço nem pensar, né? Com o calor que faz, pelo menos pra mim, é super inviável. 

Na primeira tentativa, protegi o local com fita de silicone Mepiform, mas é claro que isso não ia dar certo. A pele fica mais úmida que o normal e o resultado foi a fita perdida na imensidão do mar. 

Com micropore, o problema foi a marca que ficou após um dia de sol. Nada legal ter um quadrado branco no meio da pele bronzeada. Além disso, algumas pessoas podem ter reação alérgica por causa do adesivo. 

O que tenho feito: começo com uma camada geral e generosa de protetor solar. Em seguida, coloco BASTANTE protetor só nas cicatrizes da cirurgia e do dreno. Não espalho… deixo brancão mesmo.

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Na hora da foto, devo ter esquecido de passar embaixo. Ops! 

Ah! E não fico torrando no sol. Conferir marquinha é coisa do passado. Se não estou na água, estou bem protegida embaixo do guarda-sol. Vale comprar chapéus ou viseiras maiores, de forma que a sombra proteja a região da exposição direta. Também dá pra passar Hipoglós, Bepantol ou Cicaplast, que têm uma textura mais pegajosa/grudenta e – acredito – saem com menos facilidade. 

Não estou dizendo que as outras formas de cuidado são ruins, mas isso é o que tem funcionado pra mim. 

No mais, aproveite a praia! :) 

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Tirando dúvidas com Dr. Augusto Mendes

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Imagine a cena: você está vivendo a sua vida numa boa, planejando filhos, viagem ou mudança de cidade e aí… PUM! Cai a bomba de Hiroshima e você tem câncer de tireoide (ou qualquer outro câncer que seja). É paralisante em todos os sentidos da palavra. Paralisam-se os planos, você, a família, os amigos mais próximos. Fica todo mundo em suspensão, sem saber o que vai acontecer dali pra frente e, claro,  milhares de dúvidas surgem na cabeça com o passar dos dias.

Para responder as muitas questões que brotam de todos os lados neste período, convidei o cirurgião de cabeça e pescoço, Dr. Augusto Mendes.  Na época da minha descoberta, ele foi indicado por duas pessoas e resolvemos confiar nos depoimentos das pessoas que já conheciam o bom trabalho dele. Foi uma decisão super acertada, diga-se de passagem. :)

Dividi a entrevista em duas categorias. Na primeira, perguntas que fiz com base em pesquisa sobre o assunto. Em seguida, questões levantadas por leitores do blog que chegaram até aqui através de buscas no Google. Vamos lá?

O carcinoma papilífero figura na lista dos tumores menos agressivos. Caso não seja tratado no início, ele pode evoluir para um dos outros três tipos (folicular, medular ou anaplásico) ou continua evoluindo e crescendo, sem mudar de classificação? 

Dr. Augusto Mendes – Os carcinomas de tireoide podem ser divididos em 3 grupos: os bem diferenciados ou de baixo grau de malignidade (papilifero e folicular), os moderadamente diferenciados ou de grau intermediário de malignidade (medular), e os indiferenciados ou anaplásicos, de alto grau de malignidade.

Os bem diferenciados são derivados das células foliculares, e os medulares são provenientes das células parafoliculares. Portanto os carcinomas papiliferos não podem se transformar em carcinomas medulares, pelas linhagens celulares diversas que apresentam. No entanto, os carcinomas papilíferos ou foliculares, se não tratados e negligenciados, poderão em uma fase mais avançada se transformar em um tumor anaplásico.

Os motivos que levam o câncer de tireoide a ser mais recorrente em mulheres já são conhecidos? 

AM – As tireoidopatias benignas e também as malignas são mais incidentes em mulheres. Acredita-se que tal fato de deva ao fator hormonal ligado ao gênero.

Quais cuidados o paciente deve ter imediatamente após a tireoidectomia?

AM – Após a tireoidectomia devemos tomar alguns cuidados gerais. Evitamos molhar a cicatriz cirúrgica nos primeiros dias do pós operatório. A exposição solar deve ser evitada diretamente sobre a cicatriz por um período de 90 dias aproximadamente. Atentar para o histórico de cicatriz hipertrófica ou de quelóides, que poderão precisar de cuidados especiais como uso de corticóides ou até de betaterapia, que é uma radioterapia aplicada sobre a cicatriz, de preferência nas 24h que se seguem à cirurgia.

Depois de uma tireoidectomia, qual o prazo para voltar a fazer atividades físicas? 

AM – A volta às atividades físicas dependerá muito da programação terapêutica a que o paciente será submetido. Pela cirurgia em si, o prazo de 15 a 30 dias é o suficiente para este início. Porém, caso haja necessidade de radioiodoterapia, o paciente terá que entrar em um estado de hipotireoidismo, o que acarretará um atraso maior para esta retomada.

Existe uma posição mais indicada na hora de dormir? 

AM – Esta é uma dúvida frequente dos pacientes tireoidectomizados. Recomendamos que não se faça esforços nem movimentos bruscos na região cervical nos primeiros dias, portanto, a posição neutra do pescoço parece ser a ideal neste período, ou seja, decúbito dorsal (barriga para cima).

 Dúvidas dos leitores

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Sentir tontura após a tireoidectomia é normal? 

AM – As principais intercorrências após as tireoidectomias são relativamente raras, principalmente nas mãos de cirurgiões experientes e com vivência na área de Cirurgia de Cabeça e Pescoço. A disfonia (rouquidão) pode ocorrer em cerca de 3% dos casos, e a hipocalcemia definitiva (queda permanente dos níveis de cálcio no sangue) em até 6% dos pacientes.

Tontura é um sintoma geral que pode ocorrer no pós operatório, traduzindo mais frequentemente uma hipotensão postural (queda da pressão sanguínea).

Qual o tratamento para o carcinoma papilífero? 

AM – O tratamento padrão do carcinoma papilifero da tireoide continua sendo a cirurgia seguida ou não de radioiodoterapia (a depender da classificação de risco para recidiva). A cirurgia preconizada é a tireoidectomia total, acompanhada ou não de linfadenectomia (esvaziamento) cervical. Se houver suspeita de linfonodos (gânglios) acometidos, deverá ser realizada a sua remoção. Algumas tecnologias relativamente recentes tem agregado segurança às tireoidectomias, como o bisturi harmônico e o monitor de nervo laríngeo.

Todo paciente com carcinoma papilífero tem que fazer iodoterapia? Em quais casos a iodoterapia não é recomendada?

AM – A radioiodoterapia deverá ser indicada naqueles pacientes estratificados como de alto risco para a  recidiva (volta) da doença. Alguns fatores de impacto negativo nesta classificação são idade acima de 45 anos, presença de metástases, invasão de vasos e de estruturas além da glândula tireóide, pelo tumor, ou ressecção incompleta da doença através da cirurgia.

Todo mundo que faz tireoidectomia tem depressão depois? 

AM – A depressão quando ocorre, geralmente pode ser imputada ao hipotireoidismo prolongado que poderá ser necessário para o preparo para o radioiodo. Este hipotireoidismo poderá ser evitado com o uso de TSH recombinante, que é um método “artificial” de aumentar o TSH, e então permitir o tratamento pós operatório.

Espero que possa ajudar e que tenham gostado! Mil obrigadas pela participação, Dr. Augusto! :)

Onde Dr. Augusto Fernandes Mendes atende:

Clínica MM
Centro Médico Empresarial – Av. Anita Garibaldi, nº 1815 – Sl 209 – Bloco B
Ondina – Salvador – BA
71 3247-3436

Se você está em Salvador e ainda não tem cirurgião, não pense nem um segundo a mais. Indico de olhos fechados! :)

Evolução da cicatriz da tireoidectomia

Se existe método que promete afinar, clarear ou melhorar a aparência da cicatriz, estou testando. Há quem defenda o “uso” da marca como um troféu da vitória sobre o câncer. Acho válido, mas não em mim, que tenho tendência à cicatrização hipertrófica.

Quer saber como cuidar da cicatriz? Clique AQUI

Depois de lançar mão de protetor solar, cicaplast, kelocote, cicatricure, contractubex, medgel e mepiform (estas duas últimas são fitas de silicone), aceitei que as coisas ficariam desse jeito:

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 Estive no consultório do Dr. Augusto Mendes para levar alguns resultados e a cicatriz chamou a atenção dele. Contei que já tinha feito de tudo e tcharãaa… eu estava enganada. Ainda não tinha tentado todas as opções e fui encaminhada para um cirurgião plástico. O próximo passo: infiltração de corticóide.

O procedimento é simples e dura menos de um minuto. O cirurgião injeta o corticóide com uma agulha bem fina em toda a extensão da cicatriz. Com uma aplicação já dá pra ver a diferença, mas cada corpo reage de uma forma e podem ser necessárias outras sessões.

Já tive piercing e tenho uma tatuagem grande nas costas; faço sobrancelha no salão e uso cera fria no buço (antepassados portugueses, hehehe). Nada disso doeu tanto quanto essa tal infiltração.

Se não acredita, veja só como ficou a região logo após o procedimento:

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E o resultado? Meu parâmetro é essa bolinha onde ficou o dreno. Ela era bem grandinha e agora parece uma espinha mal curada.

Deixarei a imagem comparativa responder:

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Depois da primeira aplicação, pensei que nunca mais voltaria ao consultório, no entanto, já indo para a 3ª injeção. Se serve de consolo: a 2ª vez foi bem menos traumática.

Já dizia minha mãe (e a mãe dela repetia para ela): “quem quer ser bonita, sofre”. Pra mim, o sofrimento ainda está valendo a pena.  : )

Tirando dúvidas com Dra. Patrícia Viterbo

pensnado

E aí você:

a) Tem câncer na tireoide

b) Fez ou vai fazer tireoidectomia total

c) Fez ou vai fazer iodoterapia

d) Todas as anteriores

Não importa qual é a sua alternativa: milhares de dúvidas surgem na cabeça com o passar dos dias. Para responder as muitas questões que brotam de todos os lados neste período, convidei a endocrinologista Patrícia Viterbo. Não por acaso, é com ela que estou fazendo o acompanhamento. ;)

Dividi a entrevista em duas categorias. Na primeira, perguntas que fiz com base em pesquisa sobre o assunto. Em seguida, questões levantadas por integrantes do grupo Amigas da Tireoide. Vamos lá?

1- A tireoide tem como função principal a produção de dois hormônios, tiroxina e tri-iodotironina (T3 e T4), além da calcitonina (em menor escala em comparação com os outros dois). Apesar de não serem diretamente relacionados com os hormônios sexuais, o excesso ou a queda de produção de hormônios pela tireoide também interferem na libido. Como fica essa questão após a tireoidectomia total?

R – A deficiência ou o excesso realmente interferem na libido. Após a tireoidectomia total, fazemos reposição de levotiroxina (hormônio que a tireoide estaria produzindo) com aumento de forma gradativa, até chegar na dose adequada para cada paciente. Isso é individual e depende de vários fatores, como medicações em uso, tipo e horário de alimentação, peso, capacidade de absorção da droga e etc. Por exemplo: pessoas que se submeteram à cirurgia bariátrica, precisam de doses maiores, já que a absorção não é tão boa.

2- A presença do tumor já é suficiente para desregular os níveis de T3 e T4?

R – Não. Na maioria das vezes, os nódulos malignos estão associados com função tireoidiana normal, o que não significa que você não possa ter um nódulo maligno em paciente com hipo ou hipertireoidismo.

3- A reposição hormonal oferece riscos e efeitos colaterais a médio e longo prazos?

R – Normalmente, só se a dosagem não estiver adequada.

4- A fertilidade (masculina ou feminina) fica prejudicada?

R – Mais uma vez, a dosagem adequada é essencial para evitar esse tipo de problema.

5 – Por que é preciso tomar o hormônio em jejum e antes de se alimentar?

R – Porque o alimento interfere na absorção do hormônio. Você deve esperar 30 minutos (no mínimo) após o uso do hormônio para se alimentar e o estômago deve estar vazio.

 Perguntas do grupo “Amigas da Tireóide”

1- “Fiz uma PCI após um ano de cirurgia e iodoterapia, não deu nada, tudo limpo, mas minha TG ainda continua muito alta. No final do ano passado, fiz ultra-som, raio-x e todos os exames estavam excelentes. O único que está alterado é a TG. Mas antes da cirurgia minha TG estava na faixa de 4.600, se eu não me engano. Estou com uma Pet Scan marcada ainda pra esse mês. Queria saber se isso é normal, o que poderia ser, se pode estar tudo bem e se a TG vai caindo gradativamente mesmo…

R- A tireoglobulina é um marcador tumoral porque ela é produzida pelas células tiroidianas. O valor encontrado antes da cirurgia não deve ser considerado, pois sua tireoide ainda estava ativa. Quando o paciente é submetido à tireoidectomia total, espera-se que a tireoglobulina caia para menos de 2. Se a tireoglobulina continua alta, é preciso pesquisar a origem de produção. Como a PCI não detectou nada, a alternativa é investigar com o Pet Scan.

2- A injeção do Thyrogen atrapalha pra engravidar?

R- O Thyrogen é o TSH recombinante feito em laboratório. Ele é utilizado no exame de PCI para estimular as possíveis células tireoidianas que ainda podem permanecer no organismo a produzir tireoglobulina. Se não houver células tireoidianas, a tireoglobulina pós-thyrogen deve ser <2,0 ng/ml. Normalmente em um ou dois meses o TSH recombinante é eliminado completamente do organismo.

3 – É verdade que no caso do câncer de tireoide é preciso fazer o acompanhamento por 10 anos, ao invés de 05 anos, como nos casos de outras neoplasias?

R – Normalmente, o acompanhamento com PCI é feito durante cinco anos, mas o acompanhamento da dosagem hormonal e de tireoglobulina é feito por toda a vida. Se houver alteração de tireoglobulina, são solicitados raio-x de tórax, ultrassonografia da região cervical e pet-scan para tentar localizar o possível foco de produção da tireoglobulina.

4- Existe algum caso em que a iodoterapia não é recomendada?

R – Sim. Em alguns casos de microcarcinoma em que a captação no leito tireoidiano é menor que 2% não se recomenda iodoterapia.

5- Gostaria de saber se com mais de cinco anos de operada é preciso tomar algum tipo de vitamina ou cálcio com frequência, de uso contínuo.

R – Se não houver deficiência de cálcio ou de vitaminas, não é necessária a reposição.

Espero que possa ajudar e que tenham gostado! Mil obrigadas pela participação, Dra. Patrícia! :)

Onde Dra. Patrícia Bacelar Viterbo atende:

Multiclin – 71 3270-9200

Clínica Ser – 71 3347-0000

Clínica Humana – 71 3355 3600

Centro Médico Santo Amaro – 71 3339-5240

Centro Médico São Rafael – Garibaldi – 71 3330-5126

Depois da tireoidectomia – e a cicatriz?

Antes de dar início a uma enxurrada de posts sobre a Dieta sem Iodo, vamos a um assunto que sempre rondou minha cabeça nos momentos pré-operatórios. Neste post, falo sobre a evolução da cicatriz e como cuidar dela direitinho.

Quando tinha uns 10 ou 11 anos, um copo quebrou na minha mão e deixou uma cicatriz estranha impressa na minha digital. Só no meu joelho esquerdo são duas recordações em alto relevo. Ou seja: não era futilidade pensar o que poderia acontecer com o pescoço. O que poderia surgir dali? Um alien? Um afrodisíaco?

"Oi, gata. Vc vem sempre aqui?"

“Oi, gata. Vc vem sempre aqui?”

Com essa descrição, qual é a primeira palavra que vem à mente? “Quelóide”. Pois é, na minha também, mas aprendi que, felizmente, esse não é meu caso.

Cicatriz hipertrófica fica mais alta, mas respeita os limites do corte.

Quelóide ultrapassa os limites da lesão.

Se quiser ver uma foto onde a diferença fica bem explícita, clique AQUI.

Depois de identificar como é a sua cicatrização, é recomendável conversar com o cirurgião para saber o que é possível fazer. No meu caso (na verdade, acho que é o procedimento padrão), Dr. Augusto fez uma sutura intradérmica.

Atenção: desça rápido e pule essa parte se vc tem estômago fraco ou agonia. Já se vc é detalhista, clica na imagem que ela aumenta. :)

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Primeira foto: 04 dias após a cirurgia
Segunda foto: 08 dias após a cirurgia, quando fui tirar os pontos

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Primeira foto: 04 dias depois de tirar os pontos, ainda com algumas casquinhas
Segunda foto: 18 dias após a cirurgia.

Dá pra notar que ela tá vermelhinha, né? Isso é normal… com o passar do tempo a cicatriz vai ficando mais clara – se cuidar direito, claro.

Abaixo, a cicatriz versão ~sábado, na balada~ sem flash e com flash.

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Esse pontinho vermelho ao centro, que parece uma espinha ou picada de mosquito é por causa do dreno. 

E finalmente, a cicatriz um mês após a cirurgia:

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Ela ainda vai afinar (espero) e clarear (espero mesmo!), mas acho que está ótima. “Ao vivo” ela é bem discreta.

Agora vem o mais importante: quais cuidados devo ter com a cicatriz após a cirurgia de tireoide? 

Aqui está a minha tríade de proteção:

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Protetor solar: foi indicado por Dr. Augusto, cirurgião, uma vez que o sol é o principal inimigo da boa cicatrização. Optei por esse da Neutrogena pq ele não tem aquele “cheiro de praia” característico. Preço médio: R$ 25. Uso: Sempre que sair.

Outras formas de proteger a cicatriz do sol: usar micropore sempre que tiver certeza que o sol vai incidir diretamente e usar lenços quando for sair de casa. Eu até cheguei a comprar três lenços, mas não me adaptei a essa solução pq sou muito calorenta no pescoço.

Cicaplast: indicação da dermatologista, Tânia Magalhães. O Cicaplast é produzido pela La Roche Posay e eu, quando estava indo para a farmácia, só pensava coisas do tipo “Ok, posso vender um rim e tá tudo certo”. Mas não. O Cicaplast tem um valor acessível e rende bastante. Ele é como o Bepantol e serve para hidratar a região. A diferença é que a absorção do Cicaplast é mais fácil e não fica aquela coisa melequenta-grudenta-oleosa. Preço médio: R$ 39,90. Uso: 3x por dia ou quantas vezes seu médico recomendar.

Kelo-Cote: conheci o produto nas minhas pesquisas pela internet. É um gel de silicone indicado para o tratamento e prevenção de cicatrizes. Dos três, é o único específico para o caso e o mais caro de todos. Custou R$ 107, mas rende bastante. Uso antes de dormir e, às vezes, no meio da tarde.

Mas oi? Será que ouvi falar mais um método? Pois é. Se existe alguma coisa que promete deixar a cicatriz mais fina, tô testando. Li maravilhas sobre a fita de silicone Medgel. “Protege”, “é super discreta”, “é uma beleza”. Saí em busca da bendita por um monte de farmácias e ninguém nunca tinha ouvido falar. Entrei no site deles e descobri que em Salvador só existe um revendedor autorizado. A loja fica no Stiep, em um prédio empresarial. Fui lá e comprei os 30 cm de fita por R$ 50,00. A indicação de uso é a seguinte: cortar no tamanho desejado e aplicar diretamente na cicatriz (uns 15 dias depois de tirar os pontos, claro). A tira deve ser utilizada por cerca de 12 horas e dura aproximadamente 20 dias, desde que você lave em água morna e com sabonete neutro a cada uso. No meu caso, a tira de 30 cm rende uns três pedaços = 60 dias de uso.

Resumo: a ideia é boa, mas não serviu pra mim. A fita é grossa, nada discreta, não cola direito e fica soltando do pescoço a cada movimento. Já tentei colar com micropore pra ver se fixava melhor e nem assim deu certo.

Clica que amplia. ;)
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Uma pena! Se funcionasse, seria a melhor opção,  já que a cola dos esparadrapos me dá irritações na região. O jeito é caprichar no protetor solar e evitar a incidência direta do sol.

E é isso. Esse post será atualizado quando a cirurgia completar 06 meses e um ano, pra gente ver no que deu. ;)

Como foi? Como foi?

Ma oêee! Tô de volta! Desta vez com um post que promete ser looongo. Para facilitar a vida dos meus queridos leitores (cof, cof!), farei uma divisão por tópicos.

1. A cirurgia e o pós-operatório inicial

2. João

3. O Hospital Santo Amaro – onde NÃO se internar

4. O pós-operatório da tireoidectomia

5. Bibliograf… ops! Hehehe… foi mal!

Senta que lá vem história!

1. A cirurgia e o pós-operatório imediato

Para todo mundo que perguntava se eu estava com medo, eu dizia: “nem com medo e nem nervosa. Estou ansiosa.” E era verdade… pelo menos até entrar no centro cirúrgico. Eu continuava sem sentir medo, mas meu corpo, tremendo muito, dizia o contrário. Eu dizia que não sabia se era de frio ou por conta do nervosismo, mas hoje sei que era a segunda opção, afinal, a temperatura não estava tãaao baixa assim a ponto de fazer a tremedeira ser visível e constante. O combinado era tomar um tranquilizante antes dessa etapa, mas não deu tempo por conta da “ótima organização” (só que mega-não) do Hospital Santo Amaro.

O anestesista encontrou minha veia e começou a aplicar a medicação. Lembro dele conversando comigo, perguntando da minha asma e falando que tinha um pó de espinha de peixe que era muito b….APAGUEI! Na verdade, não sei se apaguei, mas só lembro até aí. Não tive nem aquela sensação do sono chegando (ou, se tive, não tive consciência). Foi como se eu fechasse os olhos e abrisse três horas depois, com João dizendo “oi, oi, já acabou”.

Anestesia geral – como eu achava que era:
anestesia 2Anestesia geral – como é:

anestesia

O pós-operatório imediato – acordei da anestesia e não conseguia abrir os olhos direito. Era como se tivesse com muito sono e duas barras de 5kg em cada pálpebra. Também fiquei com tontura e bem enjoada, mas passou depois de “fazer a Trixie em ‘O Pestinha 2’”.

Quem lembra da cena do parque?

Quem lembra da cena do parque? Eeeugh!

Chegando ao quarto, não conseguia falar direito em virtude da dor na garganta causada pelo entubamento. Minha voz foi melhorando aos poucos e de manhã já conseguia conversar quase normalmente, ou seja: nada de rouquidão. UhU!

A dor de garganta me acompanhou durante cinco dias. Era difícil comer, mas eu comia mesmo assim (claro, né?). O cirurgião, Dr. Augusto Mendes, indicou o consumo de derivados do leite e recomendou que tomasse cálcio. Assim o fiz por pouco mais de uma semana. Já a Novalgina, indicada para quando sentisse dores, suspendi no domingo (3 dias após a cirurgia) pois já não sentia mais nenhum incômodo.

Os maiores inconvenientes foram: muito sono nos três primeiros dias, quando eu dormi mais de 10h por noite e tirei sonequinhas ao longo do dia e um inchaço que me acompanhou por mais uns quatro ou cinco dias.

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Posso dizer que, além de estar em ótimas mãos, tive sorte, né? : )

2. João

Se não me engano, conheci João em 1999, quando morei em Santo Amaro. Só pra dar uma noção da época: ele era o menino que andava de BMX e aprendia a tocar Renato Russo no violão e eu fazia parte de um grupo cover de Spice Girls. #velhice

Na época, tinha 13 anos e a vida era aquela farra de não ter muitas preocupações e ficar “na porta” dos amigos. A porta em questão era a da casa dele. Já ao grupo de amigos, poderíamos incluir Alice e Marcos (os irmãos) e Tia Hermínia, que entrava na farra com a gente, e Seu Zezão, que tava sempre por ali pra dar uma regulada na nossa bagunça. Foi um período muito bom, mas o tempo fez o que quase sempre costuma fazer: levou cada um a viver suas vidas e a fazer novas amizades, com novos interesses e assuntos em comum.

O reencontro aconteceu em 2012 e não perdemos mais o contato. Melhor ainda: a amizade se fortaleceu e ganhou novos personagens – Alex, meu namorado, e Larissa, namorada dele.

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Até aqui é uma história legal, né? Mas ela fica ainda melhor.

Desde o diagnóstico de carcinoma papilífero, João conversou muito comigo sobre esse assunto específico: tirou minhas dúvidas, procurou respostas e trouxe exemplos de como o câncer em questão é curável. O ponto alto foi quando ele se ofereceu para acompanhar a cirurgia. Preciso dizer o quanto minha mãe (que já tinha pensado nessa questão) ficou feliz?

Chegou o dia da cirurgia e João também levou um chá de cadeira (para entender sobre esse assunto, leia o tópico 3). Alex chegou em seguida e ficamos os cinco (Eu, minha mãe, meu pai e eles dois) na recepção. Durante este período, ele nos explicou um monte de coisas sobre o procedimento, anestesia geral e outras tantas coisas que ninguém conta para nós. Foi uma orientação muito boa e eu pude subir para a cirurgia já sabendo o que me esperava.

É mágica? Teletransporte? Não sei, só sei que quando cheguei ao centro cirúrgico ele apareceu logo depois para avisar que estava ali, pronto para ser os olhos da minha família naquela sala. Só lembro até aí, mas soube que o tudo foi narrado por ele via SMS. Ao invés de, sei lá, três horas de apreensão, minha família teve três horas de informação. Não tenho palavras para agradecê-lo por essa atitude e ele já sabe que seremos gratos forever por isso, mas não custa deixar registrado. = )

3. O Hospital Santo Amaro – onde NÃO se internar

O Hospital Santo Amaro é integrante da Fundação José Silveira, o que traz boas referências para a instituição. Não está entre os maiores da cidade, mas não deixa de ser uma boa opção. Bem, só se for para os outros. Se eu tivesse que dar uma nota de 0 a 10, daria 2. Acham que estou sendo muito má ou exigente demais? Então acompanhem a minha experiência e digam se não tenho razão.

Para começo de conversa, o Hospital não tem estacionamento. Sendo assim, ir para lá de carro só se você carregar cilindros de paciência no porta-malas para encontrar uma vaga no meio daquela confusão. Alternativa: ir de táxi ou deixar o carro em um dos dois estacionamentos próximos ao Campo Santo e andar um trecho a pé (trecho este que inclui duas ladeiras).

Não posso negar que o processo de pré-internamento e marcação de consulta com o anestesista foi bem rápido e organizado, mas para por aí.

No dia da cirurgia, o procedimento estava marcado para 15h. Pediram-me para chegar por volta das 11h30 para dar início ao processo de admissão de paciente e internamento. Foi o que fizemos. No horário combinado, lá estávamos eu, minha mãe e meu pai. Documentos entregues e espera, muita espera e nenhum posicionamento por parte do hospital. Em certo momento, me chamaram para “acertar as contas”. Isso pq meu plano é enfermaria, mas optei pagar R$ 300,00, referentes à três diárias, para ficar acomodada no quarto e ter direito a um acompanhante. Esse pacote de diárias começa a contar a partir das 10h e não pode ser fracionado. Se for preciso ficar menos tempo no hospital, o valor excedente é reembolsado em até 07 dias*.

Já passava das 14h e, teoricamente, minha diária já tinha começado, mas tive que continuar na sala de espera até 16h40 devido à falta de leitos. Durante a entrevista com o anestesista, ele falou que me dariam um tranquilizante antes da ida para o centro cirúrgico, para que eu chegasse por lá mais sossegada. Vocês acham que isso aconteceu? Pois é… não. Segundo a enfermeira, a equipe já estava pronta e não daria tempo do medicamento fazer o efeito esperado. Então vamos recapitular: cheguei 11h30, subi para a enfermaria às 16h40 só para tomar um banho e colocar a roupa do hospital. Depois daí, fui direto pro Centro Cirúrgico. Desorganização pouca no ** dos outros é refresco, né? #provérbios #revoltz

E tudo isso em jejum total. Sem comida desde a meia-noite e sem água desde 09h da manhã. #mariadobairro #sofredora

As enfermeiras da noite/madrugada merecem uns parágrafos só delas. Já de volta da cirurgia, veio uma medir minha pressão. Meu pai, que tem pressão alta, perguntou se ela também poderia medir a dele e ela respondeu de maneira ríspida que era proibido. Tá certo, realmente é muito complexo, demorado e custoso medir a pressão de alguém. #sóquenão

Segundo ponto: durante a noite, elas entravam no quarto feito um furacão, fazendo o maior barulho, sem o menor cuidado ou respeito por quem está se recuperando e pelo acompanhante que está ali em um sofá-cama nada confortável. Imagine aí: você está dormindo no silêncio. De repente, o som de uma porta sendo aberta com força e batendo na parede, seguido por uma corrente de ar e o barulho de passos e coisas trepidando na bandeijinha de metal que elas trazem. A pessoa acorda no susto. Agora imaginem isso 6 vezes na noite. É de lascar!  Às vezes eu até achava que elas estavam revoltadas por eu estar dormindo e elas não. Muitos partos são feitos no Hospital Santo Amaro e ficamos nos perguntando se elas também entravam daquela forma no quarto das mulheres com bebês. Pra terminar: em uma dessas visitas da enfermeira, minha mãe perguntou qual medicamento eu iria receber. A resposta: “eu vou dizer à paciente”.  Eu tava meio sonolenta, meio grogue e era bem capaz d’eu não entender o que ela ia dizer. Custava dar a informação? Pra mim, essa foi a pior parte.

Vou pular a parte do jantar que só chegou ao quarto por volta da meia-noite, assim como a do desjejum sem graça e a do lanche com suco de manga sabor água. O almoço foi a melhor parte: tinha sabor e tinha sorvete de coco na sobremesa.

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No fim da manhã, Dr. Augusto passou por lá para dar uma olhada, fazer o curativo, tirar o dreno e me dar alta (eba!). Enquanto me trocava para ir embora, o curativo do dreno começou a ficar vermelho, vermelho, vermelho. Minha mãe foi chamar a enfermeira uma vez. Esperamos e nada. Foi chamar de novo. Mais espera. Só na terceira vez é que veio alguém e fez um novo curativo. Quer dizer, né… ainda bem que não tava morrendo.

*- Talvez eu deva aumentar a nota do Hospital. Só me cobraram uma diária, o que é justo se formos considerar que passei menos de 24h no quarto, mas vai de encontro ao que está estabelecido no panfleto deles, que diz que as diárias começam às 10h. Faz 15 dias que fui operada, mas ainda não fizeram o reembolso. Vamos aguardar.

4. Pós-operatório da tireoidectomia

Já em casa, era hora de me acostumar à nova rotina. Me apossei do SuavEncosto de minha irmã e foi com ele que dormi na primeira noite fora do hospital. Na segunda, optei pelo travesseiro. Na terceira, já dormia de lado, mas com outro travesseiro servindo de apoio para o braço, de forma a não girar demais o tronco. Hoje, 15 dias depois, ainda fico com medo de dormir de bruços.

Pra tomar banho, tentei não molhar o curativo da cirurgia e do dreno, mas não teve jeito e tirei os dois na segunda, mas sempre tentando manter longe do sol e protegido com uma gaze. Foi só aí que pude ver como a região tinha ficado. (Atenção: desça rápido e pule essa parte se vc tem estômago fraco ou “ginge”). O corte foi feito bem na dobrinha do pescoço e promete ficar bem discreto. Palmas para Dr. Augusto! :)

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Foto 01 – após 04 dias
Foto 02 – após 08 dias

Na terça-feira, contrariando as indicações de repouso, fui pro bar! Mas calma! Nada de farra, bebidas alcoólicas ou aqueles alimentos que – crendice ou não – dificultam a cicatrização. Foi rapidinho, só pra comemorar. E haja comemoração na minha família, viu! Do dia 15 de agosto pra cá, foram umas quatro ou cinco (não é exagero).

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Na sexta-feira, oito dias após a cirurgia, fui ao hospital para tirar os pontos e fazer um novo curativo. Suava frio só em pensar nisso. Cheguei no consultório e quando pensei que estava só começando, já tinha terminado. É muito rápido e a área perde um pouco da sensibilidade (temporariamente, acredito), ou seja: não precisa ter medo. Foi recomendando manter o curativo por mais uma semana, pois a compressão ajuda no processo de cicatrização.

Hoje, dia 29, tenho uma vida quase normal. Não carrego peso e nem tenho feito exercícios, mas já dirigi “daqui até ali”. Percorri pequenas distâncias pra evitar forçar o pescoço para os lados e fazer movimentos bruscos. Tô meio Robocop/Vera Fischer nesse sentido, mas mais por medo e precaução, não por dor. E chega né? Vamos encerrar esse post por aqui que amanhã tem mais! ;)

Finalizando o pré-operatório

Desta vez serei rápida e objetiva para ir direto ao ponto que pode interessar a alguém: meus últimos passos antes da retirada total da tireoide.

Após dar entrada no pedido de autorização da tireoidectomia, segui as instruções do Dr. Augusto e fui em busca de um(a) pneumologista. Tenho asma e há uns bons anos estava com a medicação desatualizada e me entupindo de Berotec, que causa taquicardia, tremedeira e não previne as crises, só apaga o incêndio.

Tem asma, mesmo que controlada, e vai fazer cirurgia? Visite o pneumologista!

Era necessária a avaliação de um especialista. Aliás, não apenas a avaliação, mas um relatório médico do “ponto de vista pulmonar” e uma autorização para o procedimento . O motivo de tanta preocupação? Vou responder com um trecho que retirei do site Asma Brônquica:

“[…] No paciente asmático não é diferente, e apesar dos avanços no seu tratamento permitirem a administração segura de qualquer um dos tipos anestesia, a asma influencia a morbidade e mortalidade operatórias, estando os pacientes com asma brônquica malcontrolada mais propensos a complicações pulmonares no pós-operatório.”

Ou seja: quem tem **, tem medo! =O

Ou seja 2: Negligenciar esse aspecto merece um selo. Não faça isso!

ehcilada

Para não cair numa cilada (Bino..dãaa), encontrei uma ótima pneumologista, a Dra. Manoela Trindade Fontes. Ela solicitou uma espirometria e me fez algumas recomendações que não vou falar pq não quero ninguém se automedicando por aí. ;)

Em seguida, foi a vez de fazer a “entrevista” e tirar dúvidas com o anestesista. Pro post não ficar imenso, recomendo aos interessados a leitura desta matéria (cliquem AQUI), que traz as respostas para as 10 dúvidas mais comuns sobre anestesia geral.

E hoje, dia 13, fui ao consultório do Dr. Augusto Mendes mais uma vez para pegar as recomendações necessárias e liquidar todas as minhas inquietações (“vai fazer esvaziamento cervical?”, “o que fazer com minha cicatrização hipertrófica?”, “posso ir pra balada no sábado?”). O procedimento está marcado para o dia 15, às 15h, e são necessárias 12 horas de jejum. Além disso, só posso beber água (leite nem pensar!) até 09h da manhã de quinta-feira. Vai ser difícil segurar a larica…