Evolução da cicatriz da tireoidectomia

Se existe método que promete afinar, clarear ou melhorar a aparência da cicatriz, estou testando. Há quem defenda o “uso” da marca como um troféu da vitória sobre o câncer. Acho válido, mas não em mim, que tenho tendência à cicatrização hipertrófica.

Quer saber como cuidar da cicatriz? Clique AQUI

Depois de lançar mão de protetor solar, cicaplast, kelocote, cicatricure, contractubex, medgel e mepiform (estas duas últimas são fitas de silicone), aceitei que as coisas ficariam desse jeito:

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 Estive no consultório do Dr. Augusto Mendes para levar alguns resultados e a cicatriz chamou a atenção dele. Contei que já tinha feito de tudo e tcharãaa… eu estava enganada. Ainda não tinha tentado todas as opções e fui encaminhada para um cirurgião plástico. O próximo passo: infiltração de corticóide.

O procedimento é simples e dura menos de um minuto. O cirurgião injeta o corticóide com uma agulha bem fina em toda a extensão da cicatriz. Com uma aplicação já dá pra ver a diferença, mas cada corpo reage de uma forma e podem ser necessárias outras sessões.

Já tive piercing e tenho uma tatuagem grande nas costas; faço sobrancelha no salão e uso cera fria no buço (antepassados portugueses, hehehe). Nada disso doeu tanto quanto essa tal infiltração.

Se não acredita, veja só como ficou a região logo após o procedimento:

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E o resultado? Meu parâmetro é essa bolinha onde ficou o dreno. Ela era bem grandinha e agora parece uma espinha mal curada.

Deixarei a imagem comparativa responder:

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Depois da primeira aplicação, pensei que nunca mais voltaria ao consultório, no entanto, já indo para a 3ª injeção. Se serve de consolo: a 2ª vez foi bem menos traumática.

Já dizia minha mãe (e a mãe dela repetia para ela): “quem quer ser bonita, sofre”. Pra mim, o sofrimento ainda está valendo a pena.  : )

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Iodoterapia… Dieta sem iodo… bichos de sete cabeças?

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Esses são pontos que geram grandes dúvidas em quem vai passar pelo processo e nas pessoas próximas ao paciente. “Iodoterapia? Que é isso? É tipo yoga? Aromaterapia? Cromoterapia?”.

Ainda não passei pela iodoterapia, então não posso responder com conhecimento de causa, mas sei que assim como alguns cânceres usam a quimioterapia, o de tireoide usa o iodo radioativo como tratamento complementar ao procedimento cirúrgico. Aqui vai parte da explicação que encontrei no ótimo blog Radioativos 131:

Iodoterapia é um tratamento feito à base do iodo radioativo, chamado Iodo131. O paciente vai para um hospital onde ingere uma dose de iodo radioativo via oral, por meio de um canudinho. (O líquido é transparente e não tem gosto).

Em seguida, ele fica em um quarto durante até três dias, e não pode receber visitas porque seu corpo emitirá radiação neste período. O tratamento é indolor e exige apenas alguns cuidados. O paciente deve evitar contato físico com outras pessoas durante a internação e durante mais alguns dias depois de voltar para casa. Seus talheres, copos, toalhas devem ser separados das outras pessoas durante cerca de uma semana após a alta. Depois de pouco tempo, toda a radioatividade é eliminada do corpo e a pessoa volta às suas atividades normais.

Fonte: Radioativos131

Sendo assim, a ordem é mais ou menos esta:

1 – Cirurgia

2 – Dieta para PCI (ou cintilografia da cervical… varia de acordo com o médico)

3 – PCI/cintilografia

4 – Iodoterapia

Às vezes acontece uma pausa entre os passos 3 e 4 (meu caso), então a dieta tem que ser retomada.

Sobre a dieta, minha resposta é: bicho de sete cabeças? Mais ou menos. Fazer dieta não é fácil, mas o quadro piora quando não podemos cometer nenhum deslize. Quem nunca se excedeu e comeu o que não podia no almoço, mas compensou no jantar ou no dia seguinte? Pois é, mas aqui não rola. Não pode comer e acabou.

Na verdade, os maiores problemas da dieta pobre em iodo são:

  • O trabalho que ela dá – Não dá pra comer nada (ou quase nada) fora de casa. Isso porque o uso de sal comum costuma ser vetado. É preciso comprar o sal não-iodado (cloreto de sódio) em farmácias de manipulação ou pela internet. Sendo assim, exige habilidade com o fogão e intimidade com as panelas para preparar suas refeições e lanchinhos.
  •  As tentações – Você sai de casa e se depara com uma série de delícias, mas não pode comer quase nenhuma delas. Ou pior: começa a ter vontade de devorar coisas que nem despertavam tanto a gula, tipo atum. Falo por experiência própria. Antes de entrar na dieta, tinha uma lata de atum fechada, guardada há semanas no armário. Foi só ser proibida de comer enlatados e frutos do mar para eu passar a olhar para ela com olhos de cobiça.
Não, obrigada!

Não, obrigada!

As restrições variam de acordo com a clínica/hospital onde o paciente vai fazer a PCI ou a iodoterapia. Existem lugares que permitem a ingestão de 01 pão francês por dia e outros que o vetam totalmente. Já vi dietas que liberam o consumo leite e outras que só autorizam o uso da versão em pó E desnatada, excluindo todos os derivados. O ponto em comum entre todas elas: não consumir frutos do mar e whisky nacional; evitar TUDO o que tiver corante vermelho (inclusive Coca-Cola) e não tomar banho de mar.

Uma voadora direto na vaidade feminina: por cerca de um mês, nada de cosméticos com cores. Isso inclui: batom, blush, gloss, delineador, máscara para cílios, tintura para cabelo e por aí vai. Bronzeador também está na lista de proibidos. O que se salva? Hidratante, desde que seja branco ou transparente.

Sua/Minha reação:

oque

O assunto é muito extenso e hoje vou parar por aqui. Para quem quiser se aprofundar no tema, sugiro uma visita ao site da Cermen, clínica de medicina nuclear que fica em Curitiba. Pra mim, é um dos mais explicativos.

Dieta pobre em iodo – http://www.cermen.com.br/terapias-dieta-pobre-iodo.php
Iodoterapia – http://www.cermen.com.br/terapias-dose-terapeutica-iodo.php
Cuidados após a dose de iodo – http://www.cermen.com.br/terapias-cuidados-iodo-131.php

No próximo post: receitas e dicas de lanchinhos legais que salvaram meus dias. :)

Depois da tireoidectomia – e a cicatriz?

Antes de dar início a uma enxurrada de posts sobre a Dieta sem Iodo, vamos a um assunto que sempre rondou minha cabeça nos momentos pré-operatórios. Neste post, falo sobre a evolução da cicatriz e como cuidar dela direitinho.

Quando tinha uns 10 ou 11 anos, um copo quebrou na minha mão e deixou uma cicatriz estranha impressa na minha digital. Só no meu joelho esquerdo são duas recordações em alto relevo. Ou seja: não era futilidade pensar o que poderia acontecer com o pescoço. O que poderia surgir dali? Um alien? Um afrodisíaco?

"Oi, gata. Vc vem sempre aqui?"

“Oi, gata. Vc vem sempre aqui?”

Com essa descrição, qual é a primeira palavra que vem à mente? “Quelóide”. Pois é, na minha também, mas aprendi que, felizmente, esse não é meu caso.

Cicatriz hipertrófica fica mais alta, mas respeita os limites do corte.

Quelóide ultrapassa os limites da lesão.

Se quiser ver uma foto onde a diferença fica bem explícita, clique AQUI.

Depois de identificar como é a sua cicatrização, é recomendável conversar com o cirurgião para saber o que é possível fazer. No meu caso (na verdade, acho que é o procedimento padrão), Dr. Augusto fez uma sutura intradérmica.

Atenção: desça rápido e pule essa parte se vc tem estômago fraco ou agonia. Já se vc é detalhista, clica na imagem que ela aumenta. :)

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Primeira foto: 04 dias após a cirurgia
Segunda foto: 08 dias após a cirurgia, quando fui tirar os pontos

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Primeira foto: 04 dias depois de tirar os pontos, ainda com algumas casquinhas
Segunda foto: 18 dias após a cirurgia.

Dá pra notar que ela tá vermelhinha, né? Isso é normal… com o passar do tempo a cicatriz vai ficando mais clara – se cuidar direito, claro.

Abaixo, a cicatriz versão ~sábado, na balada~ sem flash e com flash.

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Esse pontinho vermelho ao centro, que parece uma espinha ou picada de mosquito é por causa do dreno. 

E finalmente, a cicatriz um mês após a cirurgia:

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Ela ainda vai afinar (espero) e clarear (espero mesmo!), mas acho que está ótima. “Ao vivo” ela é bem discreta.

Agora vem o mais importante: quais cuidados devo ter com a cicatriz após a cirurgia de tireoide? 

Aqui está a minha tríade de proteção:

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Protetor solar: foi indicado por Dr. Augusto, cirurgião, uma vez que o sol é o principal inimigo da boa cicatrização. Optei por esse da Neutrogena pq ele não tem aquele “cheiro de praia” característico. Preço médio: R$ 25. Uso: Sempre que sair.

Outras formas de proteger a cicatriz do sol: usar micropore sempre que tiver certeza que o sol vai incidir diretamente e usar lenços quando for sair de casa. Eu até cheguei a comprar três lenços, mas não me adaptei a essa solução pq sou muito calorenta no pescoço.

Cicaplast: indicação da dermatologista, Tânia Magalhães. O Cicaplast é produzido pela La Roche Posay e eu, quando estava indo para a farmácia, só pensava coisas do tipo “Ok, posso vender um rim e tá tudo certo”. Mas não. O Cicaplast tem um valor acessível e rende bastante. Ele é como o Bepantol e serve para hidratar a região. A diferença é que a absorção do Cicaplast é mais fácil e não fica aquela coisa melequenta-grudenta-oleosa. Preço médio: R$ 39,90. Uso: 3x por dia ou quantas vezes seu médico recomendar.

Kelo-Cote: conheci o produto nas minhas pesquisas pela internet. É um gel de silicone indicado para o tratamento e prevenção de cicatrizes. Dos três, é o único específico para o caso e o mais caro de todos. Custou R$ 107, mas rende bastante. Uso antes de dormir e, às vezes, no meio da tarde.

Mas oi? Será que ouvi falar mais um método? Pois é. Se existe alguma coisa que promete deixar a cicatriz mais fina, tô testando. Li maravilhas sobre a fita de silicone Medgel. “Protege”, “é super discreta”, “é uma beleza”. Saí em busca da bendita por um monte de farmácias e ninguém nunca tinha ouvido falar. Entrei no site deles e descobri que em Salvador só existe um revendedor autorizado. A loja fica no Stiep, em um prédio empresarial. Fui lá e comprei os 30 cm de fita por R$ 50,00. A indicação de uso é a seguinte: cortar no tamanho desejado e aplicar diretamente na cicatriz (uns 15 dias depois de tirar os pontos, claro). A tira deve ser utilizada por cerca de 12 horas e dura aproximadamente 20 dias, desde que você lave em água morna e com sabonete neutro a cada uso. No meu caso, a tira de 30 cm rende uns três pedaços = 60 dias de uso.

Resumo: a ideia é boa, mas não serviu pra mim. A fita é grossa, nada discreta, não cola direito e fica soltando do pescoço a cada movimento. Já tentei colar com micropore pra ver se fixava melhor e nem assim deu certo.

Clica que amplia. ;)
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Uma pena! Se funcionasse, seria a melhor opção,  já que a cola dos esparadrapos me dá irritações na região. O jeito é caprichar no protetor solar e evitar a incidência direta do sol.

E é isso. Esse post será atualizado quando a cirurgia completar 06 meses e um ano, pra gente ver no que deu. ;)

Resultado da biópsia e mais comemoração

Eu disse que voltaria com novidades e cá estou eu. Ontem foi o dia de pegar o resultado da biópsia no Hospital Santo Amaro. Quando liguei pra lá no início da semana, me disseram que poderia buscar o documento a partir das 16h. Eis que chegou o dia 29. Telefonei por volta das 09h30 só pra confirmar o horário e me disseram que já estava pronto para entrega. Uhu! Incorporei o The Flash (sdds anos 90) e cheguei ao setor de entrega em pouco mais de 40 minutos.

Vamos deixar a imagem falar mais que mil palavras?

Clica que aumenta

Huuum… certo. Ninguém tem a obrigação de entender o que está escrito, então vamos ativar a tecla SAP.

O tumor realmente era maligno, mas menor do que aparecia para nós nos exames. Por lá, 1cm. Na real, 0,6 cm. É uma diferença pequena, mas que é suficiente para rebaixar o tal temido carcinoma papilífero devastador e malvado a um microcarcinoma papilífero imbecilzinho de nada (agora, né? que já tá fora de mim, hehehe).

“Tá, Savana. O nódulo era maligno. Qual é a boa notícia?”. A boa notícia é que ele era menor, ora. E que não tem sinal de metástase e nem de outros tumores em formação, já que a biópsia diz que não há alterações no restante da glândula. A notícia nem sempre precisa ser grandiosa pra ser boa.

Bem, temos que considerar que pelo visto eu tinha uma mini-tireoide, né? Enquanto as outras têm entre 15g e 30g, a minha pesava 11g (menos que uma latinha de Vick) e o lobo onde o tumor morava tinha 3,4 cm no maior lado. Tá proporcional, né?

Tireoide slim: mais leve que uma latinha de Vick

Ansiosa e tudo-pra-ontem que sou, liguei pro consultório do Dr. Augusto e perguntei pra Maria se dava pra mostrar o laudo ainda naquela manhã. Sinal verde e lá vamos nós! 

Fui encaminhada para uma médica nuclear, que vai avaliar a necessidade de entrar com o tratamento complementar: a iodoterapia. Se não tiver que fazer, bom. Se for necessário, não tem problema. Até terça! ;)

Como foi? Como foi?

Ma oêee! Tô de volta! Desta vez com um post que promete ser looongo. Para facilitar a vida dos meus queridos leitores (cof, cof!), farei uma divisão por tópicos.

1. A cirurgia e o pós-operatório inicial

2. João

3. O Hospital Santo Amaro – onde NÃO se internar

4. O pós-operatório da tireoidectomia

5. Bibliograf… ops! Hehehe… foi mal!

Senta que lá vem história!

1. A cirurgia e o pós-operatório imediato

Para todo mundo que perguntava se eu estava com medo, eu dizia: “nem com medo e nem nervosa. Estou ansiosa.” E era verdade… pelo menos até entrar no centro cirúrgico. Eu continuava sem sentir medo, mas meu corpo, tremendo muito, dizia o contrário. Eu dizia que não sabia se era de frio ou por conta do nervosismo, mas hoje sei que era a segunda opção, afinal, a temperatura não estava tãaao baixa assim a ponto de fazer a tremedeira ser visível e constante. O combinado era tomar um tranquilizante antes dessa etapa, mas não deu tempo por conta da “ótima organização” (só que mega-não) do Hospital Santo Amaro.

O anestesista encontrou minha veia e começou a aplicar a medicação. Lembro dele conversando comigo, perguntando da minha asma e falando que tinha um pó de espinha de peixe que era muito b….APAGUEI! Na verdade, não sei se apaguei, mas só lembro até aí. Não tive nem aquela sensação do sono chegando (ou, se tive, não tive consciência). Foi como se eu fechasse os olhos e abrisse três horas depois, com João dizendo “oi, oi, já acabou”.

Anestesia geral – como eu achava que era:
anestesia 2Anestesia geral – como é:

anestesia

O pós-operatório imediato – acordei da anestesia e não conseguia abrir os olhos direito. Era como se tivesse com muito sono e duas barras de 5kg em cada pálpebra. Também fiquei com tontura e bem enjoada, mas passou depois de “fazer a Trixie em ‘O Pestinha 2’”.

Quem lembra da cena do parque?

Quem lembra da cena do parque? Eeeugh!

Chegando ao quarto, não conseguia falar direito em virtude da dor na garganta causada pelo entubamento. Minha voz foi melhorando aos poucos e de manhã já conseguia conversar quase normalmente, ou seja: nada de rouquidão. UhU!

A dor de garganta me acompanhou durante cinco dias. Era difícil comer, mas eu comia mesmo assim (claro, né?). O cirurgião, Dr. Augusto Mendes, indicou o consumo de derivados do leite e recomendou que tomasse cálcio. Assim o fiz por pouco mais de uma semana. Já a Novalgina, indicada para quando sentisse dores, suspendi no domingo (3 dias após a cirurgia) pois já não sentia mais nenhum incômodo.

Os maiores inconvenientes foram: muito sono nos três primeiros dias, quando eu dormi mais de 10h por noite e tirei sonequinhas ao longo do dia e um inchaço que me acompanhou por mais uns quatro ou cinco dias.

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Posso dizer que, além de estar em ótimas mãos, tive sorte, né? : )

2. João

Se não me engano, conheci João em 1999, quando morei em Santo Amaro. Só pra dar uma noção da época: ele era o menino que andava de BMX e aprendia a tocar Renato Russo no violão e eu fazia parte de um grupo cover de Spice Girls. #velhice

Na época, tinha 13 anos e a vida era aquela farra de não ter muitas preocupações e ficar “na porta” dos amigos. A porta em questão era a da casa dele. Já ao grupo de amigos, poderíamos incluir Alice e Marcos (os irmãos) e Tia Hermínia, que entrava na farra com a gente, e Seu Zezão, que tava sempre por ali pra dar uma regulada na nossa bagunça. Foi um período muito bom, mas o tempo fez o que quase sempre costuma fazer: levou cada um a viver suas vidas e a fazer novas amizades, com novos interesses e assuntos em comum.

O reencontro aconteceu em 2012 e não perdemos mais o contato. Melhor ainda: a amizade se fortaleceu e ganhou novos personagens – Alex, meu namorado, e Larissa, namorada dele.

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Até aqui é uma história legal, né? Mas ela fica ainda melhor.

Desde o diagnóstico de carcinoma papilífero, João conversou muito comigo sobre esse assunto específico: tirou minhas dúvidas, procurou respostas e trouxe exemplos de como o câncer em questão é curável. O ponto alto foi quando ele se ofereceu para acompanhar a cirurgia. Preciso dizer o quanto minha mãe (que já tinha pensado nessa questão) ficou feliz?

Chegou o dia da cirurgia e João também levou um chá de cadeira (para entender sobre esse assunto, leia o tópico 3). Alex chegou em seguida e ficamos os cinco (Eu, minha mãe, meu pai e eles dois) na recepção. Durante este período, ele nos explicou um monte de coisas sobre o procedimento, anestesia geral e outras tantas coisas que ninguém conta para nós. Foi uma orientação muito boa e eu pude subir para a cirurgia já sabendo o que me esperava.

É mágica? Teletransporte? Não sei, só sei que quando cheguei ao centro cirúrgico ele apareceu logo depois para avisar que estava ali, pronto para ser os olhos da minha família naquela sala. Só lembro até aí, mas soube que o tudo foi narrado por ele via SMS. Ao invés de, sei lá, três horas de apreensão, minha família teve três horas de informação. Não tenho palavras para agradecê-lo por essa atitude e ele já sabe que seremos gratos forever por isso, mas não custa deixar registrado. = )

3. O Hospital Santo Amaro – onde NÃO se internar

O Hospital Santo Amaro é integrante da Fundação José Silveira, o que traz boas referências para a instituição. Não está entre os maiores da cidade, mas não deixa de ser uma boa opção. Bem, só se for para os outros. Se eu tivesse que dar uma nota de 0 a 10, daria 2. Acham que estou sendo muito má ou exigente demais? Então acompanhem a minha experiência e digam se não tenho razão.

Para começo de conversa, o Hospital não tem estacionamento. Sendo assim, ir para lá de carro só se você carregar cilindros de paciência no porta-malas para encontrar uma vaga no meio daquela confusão. Alternativa: ir de táxi ou deixar o carro em um dos dois estacionamentos próximos ao Campo Santo e andar um trecho a pé (trecho este que inclui duas ladeiras).

Não posso negar que o processo de pré-internamento e marcação de consulta com o anestesista foi bem rápido e organizado, mas para por aí.

No dia da cirurgia, o procedimento estava marcado para 15h. Pediram-me para chegar por volta das 11h30 para dar início ao processo de admissão de paciente e internamento. Foi o que fizemos. No horário combinado, lá estávamos eu, minha mãe e meu pai. Documentos entregues e espera, muita espera e nenhum posicionamento por parte do hospital. Em certo momento, me chamaram para “acertar as contas”. Isso pq meu plano é enfermaria, mas optei pagar R$ 300,00, referentes à três diárias, para ficar acomodada no quarto e ter direito a um acompanhante. Esse pacote de diárias começa a contar a partir das 10h e não pode ser fracionado. Se for preciso ficar menos tempo no hospital, o valor excedente é reembolsado em até 07 dias*.

Já passava das 14h e, teoricamente, minha diária já tinha começado, mas tive que continuar na sala de espera até 16h40 devido à falta de leitos. Durante a entrevista com o anestesista, ele falou que me dariam um tranquilizante antes da ida para o centro cirúrgico, para que eu chegasse por lá mais sossegada. Vocês acham que isso aconteceu? Pois é… não. Segundo a enfermeira, a equipe já estava pronta e não daria tempo do medicamento fazer o efeito esperado. Então vamos recapitular: cheguei 11h30, subi para a enfermaria às 16h40 só para tomar um banho e colocar a roupa do hospital. Depois daí, fui direto pro Centro Cirúrgico. Desorganização pouca no ** dos outros é refresco, né? #provérbios #revoltz

E tudo isso em jejum total. Sem comida desde a meia-noite e sem água desde 09h da manhã. #mariadobairro #sofredora

As enfermeiras da noite/madrugada merecem uns parágrafos só delas. Já de volta da cirurgia, veio uma medir minha pressão. Meu pai, que tem pressão alta, perguntou se ela também poderia medir a dele e ela respondeu de maneira ríspida que era proibido. Tá certo, realmente é muito complexo, demorado e custoso medir a pressão de alguém. #sóquenão

Segundo ponto: durante a noite, elas entravam no quarto feito um furacão, fazendo o maior barulho, sem o menor cuidado ou respeito por quem está se recuperando e pelo acompanhante que está ali em um sofá-cama nada confortável. Imagine aí: você está dormindo no silêncio. De repente, o som de uma porta sendo aberta com força e batendo na parede, seguido por uma corrente de ar e o barulho de passos e coisas trepidando na bandeijinha de metal que elas trazem. A pessoa acorda no susto. Agora imaginem isso 6 vezes na noite. É de lascar!  Às vezes eu até achava que elas estavam revoltadas por eu estar dormindo e elas não. Muitos partos são feitos no Hospital Santo Amaro e ficamos nos perguntando se elas também entravam daquela forma no quarto das mulheres com bebês. Pra terminar: em uma dessas visitas da enfermeira, minha mãe perguntou qual medicamento eu iria receber. A resposta: “eu vou dizer à paciente”.  Eu tava meio sonolenta, meio grogue e era bem capaz d’eu não entender o que ela ia dizer. Custava dar a informação? Pra mim, essa foi a pior parte.

Vou pular a parte do jantar que só chegou ao quarto por volta da meia-noite, assim como a do desjejum sem graça e a do lanche com suco de manga sabor água. O almoço foi a melhor parte: tinha sabor e tinha sorvete de coco na sobremesa.

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No fim da manhã, Dr. Augusto passou por lá para dar uma olhada, fazer o curativo, tirar o dreno e me dar alta (eba!). Enquanto me trocava para ir embora, o curativo do dreno começou a ficar vermelho, vermelho, vermelho. Minha mãe foi chamar a enfermeira uma vez. Esperamos e nada. Foi chamar de novo. Mais espera. Só na terceira vez é que veio alguém e fez um novo curativo. Quer dizer, né… ainda bem que não tava morrendo.

*- Talvez eu deva aumentar a nota do Hospital. Só me cobraram uma diária, o que é justo se formos considerar que passei menos de 24h no quarto, mas vai de encontro ao que está estabelecido no panfleto deles, que diz que as diárias começam às 10h. Faz 15 dias que fui operada, mas ainda não fizeram o reembolso. Vamos aguardar.

4. Pós-operatório da tireoidectomia

Já em casa, era hora de me acostumar à nova rotina. Me apossei do SuavEncosto de minha irmã e foi com ele que dormi na primeira noite fora do hospital. Na segunda, optei pelo travesseiro. Na terceira, já dormia de lado, mas com outro travesseiro servindo de apoio para o braço, de forma a não girar demais o tronco. Hoje, 15 dias depois, ainda fico com medo de dormir de bruços.

Pra tomar banho, tentei não molhar o curativo da cirurgia e do dreno, mas não teve jeito e tirei os dois na segunda, mas sempre tentando manter longe do sol e protegido com uma gaze. Foi só aí que pude ver como a região tinha ficado. (Atenção: desça rápido e pule essa parte se vc tem estômago fraco ou “ginge”). O corte foi feito bem na dobrinha do pescoço e promete ficar bem discreto. Palmas para Dr. Augusto! :)

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Foto 01 – após 04 dias
Foto 02 – após 08 dias

Na terça-feira, contrariando as indicações de repouso, fui pro bar! Mas calma! Nada de farra, bebidas alcoólicas ou aqueles alimentos que – crendice ou não – dificultam a cicatrização. Foi rapidinho, só pra comemorar. E haja comemoração na minha família, viu! Do dia 15 de agosto pra cá, foram umas quatro ou cinco (não é exagero).

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Na sexta-feira, oito dias após a cirurgia, fui ao hospital para tirar os pontos e fazer um novo curativo. Suava frio só em pensar nisso. Cheguei no consultório e quando pensei que estava só começando, já tinha terminado. É muito rápido e a área perde um pouco da sensibilidade (temporariamente, acredito), ou seja: não precisa ter medo. Foi recomendando manter o curativo por mais uma semana, pois a compressão ajuda no processo de cicatrização.

Hoje, dia 29, tenho uma vida quase normal. Não carrego peso e nem tenho feito exercícios, mas já dirigi “daqui até ali”. Percorri pequenas distâncias pra evitar forçar o pescoço para os lados e fazer movimentos bruscos. Tô meio Robocop/Vera Fischer nesse sentido, mas mais por medo e precaução, não por dor. E chega né? Vamos encerrar esse post por aqui que amanhã tem mais! ;)

Tireoidectomia total marcada!

É, a palavra parece um trava-língua, mas é assim que se chama a retirada total da tireoide. Tive a terceira consulta com Dr. Augusto Mendes e ele, após fazer uma cara de “está tudo ok com seus exames”, começou a preencher a guia de solicitação do procedimento.

Eu por fora:

felizinha

Eu por dentro:

gifsamba

A data prevista: 15 de agosto, dois meses e dois dias após abrir o resultado da PAAF. Coincidência? Intervenção divina? Poeira cósmica? Nenhum dos três… só eu, que gosto de colocar as coisas em alguma perspectiva. :)

Aviso aos navegantes: se está com a guia em mãos e algum tempo de sobra, é recomendável ir até o hospital o mais rápido possível e dar entrada no processo de pré-internamento. Eu e minha mãe fomos ao Hospital Santo Amaro assim que saímos da clínica e foi a melhor coisa que fizemos, uma vez que o Bradesco Saúde (e os convênios em geral) levam de 5 a 8 dias úteis para autorizar a cirurgia. Depois disso, ainda é preciso agendar consulta com o anestesista e, se for o caso, fazer os pagamentos necessários. Ou seja: tem que correr contra o tempo. ;)

Frustração e um pouco de esperteza

Durante o fim de semana, revirei a internet em busca de maiores informações sobre o tratamento do tal carcinoma papilífero. O que encontrei: muitos relatos de pessoas que só vieram a descobrir a malignidade do tumor após a cirurgia. Ou seja: detectaram o corpo estranho, marcaram a cirurgia e pronto. O problema maior só foi descoberto quando a pessoa já estava livre dele. Saber que meu caso era diferente e que eu ainda trazia o treco dentro de mim me deixou cheia de perguntas e com uma semi-raiva direcionada aos médicos que não me encaminharam logo para a cirurgia, assim como tinha acontecido com outras tantas.

Bom, passada esta etapa, começou a inquietação. Por mim, operaria na segunda-feira! E foi com este sentimento de “já pode ser na semana que vem?” que fui à consulta com um cirurgião de cabeça e pescoço, no Hospital São Rafael.

Pra encurtar o caminho: ele nos passou informações gerais acerca de duas cirurgias: a normal e a minimamente invasiva. Qualquer pessoa opta pela segunda opção, né? Mas essa só é feita de forma particular, a um custo de R$ 4.000. “Ok, ok… então vamos ficar com a primeira opção”, pensamos eu e minha mãe. O X da questão: ele não opera pelo procedimento dito “normal” em planos da categoria enfermaria. ¬¬”

Ou seja: mesmo sabendo que meu plano não dava cobertura ao procedimento naquele hospital, a consulta foi mantida (e paga pelo convênio!). Além disso, perdemos tempo e gasolina nos deslocando até o São Rafael. =(

Tô de olho!

Tô de olho!

O próximo passo: outra consulta, com outro cirurgião, agendada para o dia 25. Vamos ver no que vai dar…