Prólogo – A descoberta

Nunca me importei com o passar dos anos. Quando tinha 12, queria ter 13. Quando tinha 17, queria ter 18. Quando tinha 26, no entanto, me peguei com a crise dos 27 e fiquei meio confusa por não entender os motivos que me levavam a querer frear o tempo.

ImageEm maio deste ano, tomada por uma sensação de “preciso começar a me mexer”, pensei em financiar um apartamento e deixá-lo alugado enquanto não chegava a hora de sair da casa da mãe. “Ahá! Sou madura e vou investir em imóveis”, pensei. Cheguei a ir olhar um apê e dar início às conversas quando… “BUM!”, alterações na empresa me fizeram entrar no aviso prévio.

Parem as máquinas! –  Negociações canceladas, precisava pensar no próximo passo. Sempre quis fazer intercâmbio e senti que era A HORA certa. Sem emprego, sem planos de casamento (isso não é uma indireta), sem filhos e com reservas financeiras suficientes para realizar um sonho sem incomodar ou depender da família. Mais uma vez, meu senso de urgência me fez conversar com agências e com um monte de pessoas que já tinham morado em Dublin, o destino escolhido. Pra melhorar: consegui uma bolsa de estudos em uma das melhores escolas da Irlanda e as passagens aéreas estavam em promoção. Tudo se encaixando, tudo dando certo. Muito certo!

Parece uma coincidência forjada, mas minha descoberta se deu justamente no dia em que eu estava prestes a comprar as passagens. Saí de casa para ir ao laboratório após olhar o site da KLM. “Na volta eu compro”. Opa, parece que não, hein!

Depois de muito pensar sobre quais pessoas saberiam, encontrei a resposta: TODO MUNDO DEVE SABER! “Pq, Savana? Vc é exibida? Vc gosta de se expor?”. Bem, durante as minhas pesquisas, encontrei muitos lamentos e pouca informação relevante, principalmente sobre Salvador e as formas de tratamento por aqui. Se fiz jornalismo e gosto de contar as histórias dos outros, pq não aproveitar o embalo para contar a minha, né?

Para o post inicial não ficar muito longo, terei que fazer uma segunda parte sobre o percurso que me levou ao diagnóstico mais assustador que um leigo pode ter: carcinoma papilífero. E agora?

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