Como foi? Como foi?

Ma oêee! Tô de volta! Desta vez com um post que promete ser looongo. Para facilitar a vida dos meus queridos leitores (cof, cof!), farei uma divisão por tópicos.

1. A cirurgia e o pós-operatório inicial

2. João

3. O Hospital Santo Amaro – onde NÃO se internar

4. O pós-operatório da tireoidectomia

5. Bibliograf… ops! Hehehe… foi mal!

Senta que lá vem história!

1. A cirurgia e o pós-operatório imediato

Para todo mundo que perguntava se eu estava com medo, eu dizia: “nem com medo e nem nervosa. Estou ansiosa.” E era verdade… pelo menos até entrar no centro cirúrgico. Eu continuava sem sentir medo, mas meu corpo, tremendo muito, dizia o contrário. Eu dizia que não sabia se era de frio ou por conta do nervosismo, mas hoje sei que era a segunda opção, afinal, a temperatura não estava tãaao baixa assim a ponto de fazer a tremedeira ser visível e constante. O combinado era tomar um tranquilizante antes dessa etapa, mas não deu tempo por conta da “ótima organização” (só que mega-não) do Hospital Santo Amaro.

O anestesista encontrou minha veia e começou a aplicar a medicação. Lembro dele conversando comigo, perguntando da minha asma e falando que tinha um pó de espinha de peixe que era muito b….APAGUEI! Na verdade, não sei se apaguei, mas só lembro até aí. Não tive nem aquela sensação do sono chegando (ou, se tive, não tive consciência). Foi como se eu fechasse os olhos e abrisse três horas depois, com João dizendo “oi, oi, já acabou”.

Anestesia geral – como eu achava que era:
anestesia 2Anestesia geral – como é:

anestesia

O pós-operatório imediato – acordei da anestesia e não conseguia abrir os olhos direito. Era como se tivesse com muito sono e duas barras de 5kg em cada pálpebra. Também fiquei com tontura e bem enjoada, mas passou depois de “fazer a Trixie em ‘O Pestinha 2’”.

Quem lembra da cena do parque?

Quem lembra da cena do parque? Eeeugh!

Chegando ao quarto, não conseguia falar direito em virtude da dor na garganta causada pelo entubamento. Minha voz foi melhorando aos poucos e de manhã já conseguia conversar quase normalmente, ou seja: nada de rouquidão. UhU!

A dor de garganta me acompanhou durante cinco dias. Era difícil comer, mas eu comia mesmo assim (claro, né?). O cirurgião, Dr. Augusto Mendes, indicou o consumo de derivados do leite e recomendou que tomasse cálcio. Assim o fiz por pouco mais de uma semana. Já a Novalgina, indicada para quando sentisse dores, suspendi no domingo (3 dias após a cirurgia) pois já não sentia mais nenhum incômodo.

Os maiores inconvenientes foram: muito sono nos três primeiros dias, quando eu dormi mais de 10h por noite e tirei sonequinhas ao longo do dia e um inchaço que me acompanhou por mais uns quatro ou cinco dias.

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Posso dizer que, além de estar em ótimas mãos, tive sorte, né? : )

2. João

Se não me engano, conheci João em 1999, quando morei em Santo Amaro. Só pra dar uma noção da época: ele era o menino que andava de BMX e aprendia a tocar Renato Russo no violão e eu fazia parte de um grupo cover de Spice Girls. #velhice

Na época, tinha 13 anos e a vida era aquela farra de não ter muitas preocupações e ficar “na porta” dos amigos. A porta em questão era a da casa dele. Já ao grupo de amigos, poderíamos incluir Alice e Marcos (os irmãos) e Tia Hermínia, que entrava na farra com a gente, e Seu Zezão, que tava sempre por ali pra dar uma regulada na nossa bagunça. Foi um período muito bom, mas o tempo fez o que quase sempre costuma fazer: levou cada um a viver suas vidas e a fazer novas amizades, com novos interesses e assuntos em comum.

O reencontro aconteceu em 2012 e não perdemos mais o contato. Melhor ainda: a amizade se fortaleceu e ganhou novos personagens – Alex, meu namorado, e Larissa, namorada dele.

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Até aqui é uma história legal, né? Mas ela fica ainda melhor.

Desde o diagnóstico de carcinoma papilífero, João conversou muito comigo sobre esse assunto específico: tirou minhas dúvidas, procurou respostas e trouxe exemplos de como o câncer em questão é curável. O ponto alto foi quando ele se ofereceu para acompanhar a cirurgia. Preciso dizer o quanto minha mãe (que já tinha pensado nessa questão) ficou feliz?

Chegou o dia da cirurgia e João também levou um chá de cadeira (para entender sobre esse assunto, leia o tópico 3). Alex chegou em seguida e ficamos os cinco (Eu, minha mãe, meu pai e eles dois) na recepção. Durante este período, ele nos explicou um monte de coisas sobre o procedimento, anestesia geral e outras tantas coisas que ninguém conta para nós. Foi uma orientação muito boa e eu pude subir para a cirurgia já sabendo o que me esperava.

É mágica? Teletransporte? Não sei, só sei que quando cheguei ao centro cirúrgico ele apareceu logo depois para avisar que estava ali, pronto para ser os olhos da minha família naquela sala. Só lembro até aí, mas soube que o tudo foi narrado por ele via SMS. Ao invés de, sei lá, três horas de apreensão, minha família teve três horas de informação. Não tenho palavras para agradecê-lo por essa atitude e ele já sabe que seremos gratos forever por isso, mas não custa deixar registrado. = )

3. O Hospital Santo Amaro – onde NÃO se internar

O Hospital Santo Amaro é integrante da Fundação José Silveira, o que traz boas referências para a instituição. Não está entre os maiores da cidade, mas não deixa de ser uma boa opção. Bem, só se for para os outros. Se eu tivesse que dar uma nota de 0 a 10, daria 2. Acham que estou sendo muito má ou exigente demais? Então acompanhem a minha experiência e digam se não tenho razão.

Para começo de conversa, o Hospital não tem estacionamento. Sendo assim, ir para lá de carro só se você carregar cilindros de paciência no porta-malas para encontrar uma vaga no meio daquela confusão. Alternativa: ir de táxi ou deixar o carro em um dos dois estacionamentos próximos ao Campo Santo e andar um trecho a pé (trecho este que inclui duas ladeiras).

Não posso negar que o processo de pré-internamento e marcação de consulta com o anestesista foi bem rápido e organizado, mas para por aí.

No dia da cirurgia, o procedimento estava marcado para 15h. Pediram-me para chegar por volta das 11h30 para dar início ao processo de admissão de paciente e internamento. Foi o que fizemos. No horário combinado, lá estávamos eu, minha mãe e meu pai. Documentos entregues e espera, muita espera e nenhum posicionamento por parte do hospital. Em certo momento, me chamaram para “acertar as contas”. Isso pq meu plano é enfermaria, mas optei pagar R$ 300,00, referentes à três diárias, para ficar acomodada no quarto e ter direito a um acompanhante. Esse pacote de diárias começa a contar a partir das 10h e não pode ser fracionado. Se for preciso ficar menos tempo no hospital, o valor excedente é reembolsado em até 07 dias*.

Já passava das 14h e, teoricamente, minha diária já tinha começado, mas tive que continuar na sala de espera até 16h40 devido à falta de leitos. Durante a entrevista com o anestesista, ele falou que me dariam um tranquilizante antes da ida para o centro cirúrgico, para que eu chegasse por lá mais sossegada. Vocês acham que isso aconteceu? Pois é… não. Segundo a enfermeira, a equipe já estava pronta e não daria tempo do medicamento fazer o efeito esperado. Então vamos recapitular: cheguei 11h30, subi para a enfermaria às 16h40 só para tomar um banho e colocar a roupa do hospital. Depois daí, fui direto pro Centro Cirúrgico. Desorganização pouca no ** dos outros é refresco, né? #provérbios #revoltz

E tudo isso em jejum total. Sem comida desde a meia-noite e sem água desde 09h da manhã. #mariadobairro #sofredora

As enfermeiras da noite/madrugada merecem uns parágrafos só delas. Já de volta da cirurgia, veio uma medir minha pressão. Meu pai, que tem pressão alta, perguntou se ela também poderia medir a dele e ela respondeu de maneira ríspida que era proibido. Tá certo, realmente é muito complexo, demorado e custoso medir a pressão de alguém. #sóquenão

Segundo ponto: durante a noite, elas entravam no quarto feito um furacão, fazendo o maior barulho, sem o menor cuidado ou respeito por quem está se recuperando e pelo acompanhante que está ali em um sofá-cama nada confortável. Imagine aí: você está dormindo no silêncio. De repente, o som de uma porta sendo aberta com força e batendo na parede, seguido por uma corrente de ar e o barulho de passos e coisas trepidando na bandeijinha de metal que elas trazem. A pessoa acorda no susto. Agora imaginem isso 6 vezes na noite. É de lascar!  Às vezes eu até achava que elas estavam revoltadas por eu estar dormindo e elas não. Muitos partos são feitos no Hospital Santo Amaro e ficamos nos perguntando se elas também entravam daquela forma no quarto das mulheres com bebês. Pra terminar: em uma dessas visitas da enfermeira, minha mãe perguntou qual medicamento eu iria receber. A resposta: “eu vou dizer à paciente”.  Eu tava meio sonolenta, meio grogue e era bem capaz d’eu não entender o que ela ia dizer. Custava dar a informação? Pra mim, essa foi a pior parte.

Vou pular a parte do jantar que só chegou ao quarto por volta da meia-noite, assim como a do desjejum sem graça e a do lanche com suco de manga sabor água. O almoço foi a melhor parte: tinha sabor e tinha sorvete de coco na sobremesa.

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No fim da manhã, Dr. Augusto passou por lá para dar uma olhada, fazer o curativo, tirar o dreno e me dar alta (eba!). Enquanto me trocava para ir embora, o curativo do dreno começou a ficar vermelho, vermelho, vermelho. Minha mãe foi chamar a enfermeira uma vez. Esperamos e nada. Foi chamar de novo. Mais espera. Só na terceira vez é que veio alguém e fez um novo curativo. Quer dizer, né… ainda bem que não tava morrendo.

*- Talvez eu deva aumentar a nota do Hospital. Só me cobraram uma diária, o que é justo se formos considerar que passei menos de 24h no quarto, mas vai de encontro ao que está estabelecido no panfleto deles, que diz que as diárias começam às 10h. Faz 15 dias que fui operada, mas ainda não fizeram o reembolso. Vamos aguardar.

4. Pós-operatório da tireoidectomia

Já em casa, era hora de me acostumar à nova rotina. Me apossei do SuavEncosto de minha irmã e foi com ele que dormi na primeira noite fora do hospital. Na segunda, optei pelo travesseiro. Na terceira, já dormia de lado, mas com outro travesseiro servindo de apoio para o braço, de forma a não girar demais o tronco. Hoje, 15 dias depois, ainda fico com medo de dormir de bruços.

Pra tomar banho, tentei não molhar o curativo da cirurgia e do dreno, mas não teve jeito e tirei os dois na segunda, mas sempre tentando manter longe do sol e protegido com uma gaze. Foi só aí que pude ver como a região tinha ficado. (Atenção: desça rápido e pule essa parte se vc tem estômago fraco ou “ginge”). O corte foi feito bem na dobrinha do pescoço e promete ficar bem discreto. Palmas para Dr. Augusto! :)

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Foto 01 – após 04 dias
Foto 02 – após 08 dias

Na terça-feira, contrariando as indicações de repouso, fui pro bar! Mas calma! Nada de farra, bebidas alcoólicas ou aqueles alimentos que – crendice ou não – dificultam a cicatrização. Foi rapidinho, só pra comemorar. E haja comemoração na minha família, viu! Do dia 15 de agosto pra cá, foram umas quatro ou cinco (não é exagero).

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Na sexta-feira, oito dias após a cirurgia, fui ao hospital para tirar os pontos e fazer um novo curativo. Suava frio só em pensar nisso. Cheguei no consultório e quando pensei que estava só começando, já tinha terminado. É muito rápido e a área perde um pouco da sensibilidade (temporariamente, acredito), ou seja: não precisa ter medo. Foi recomendando manter o curativo por mais uma semana, pois a compressão ajuda no processo de cicatrização.

Hoje, dia 29, tenho uma vida quase normal. Não carrego peso e nem tenho feito exercícios, mas já dirigi “daqui até ali”. Percorri pequenas distâncias pra evitar forçar o pescoço para os lados e fazer movimentos bruscos. Tô meio Robocop/Vera Fischer nesse sentido, mas mais por medo e precaução, não por dor. E chega né? Vamos encerrar esse post por aqui que amanhã tem mais! ;)

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Chegou o dia!

dia15

Eitchaaaaaaan! Chegou o dia!

E só agora me dei conta de que não tem nenhum post mais elaborado sobre o tratamento do carcinoma papilífero. Que zebra!

Já que muitas pessoas vieram me perguntar sobre o assunto e ninguém tem a obrigação de sair pesquisando por aí, vamos ao bê-a-bá do que vai acontecer comigo hoje e daqui pra frente. ;)

Não tem pra onde correr. O tratamento é cirúrgico e, normalmente, retira toda a tireoide, mesmo se o nódulo só ocupar um lado da glândula (meu caso).

Motivo: “Até um terço dos cânceres bem diferenciados de tireoide recidivam e retornam principalmente em gânglios (linfonodos) cervicais. Podem passar até 20 anos para o câncer de tireoide reaparecer, por isso é necessário seu seguimento a longo prazo. Este seguimento envolve o exame físico cervical e exames laboratoriais como tireoglobulina (marcador tumoral), TSH, ultra-sonografia cervical, cintilografia de corpo inteiro, raio X e ressonância magnética.” Fonte: Hospital de Câncer de Barretos

Ou seja: vai facilitar pra quê, né? Se ~ele~ já pode voltar, imagine com um restinho de tireóide dando sopa pela área? 

A glândula retirada é encaminhada para a biópsia, que vai confirmar (ou não) o diagnóstico da punção. Se por uma intervenção divina o tumor for benigno e o tecido não apresentar nenhuma característica de malignidade, é o fim da linha para a(o) paciente, que passa a tomar os hormônios que antes eram produzidos pela tireoide e realiza o acompanhamento periodicamente. Do contrário, existe o tratamento complementar exclusivo para quem tem este tipo de câncer: a iodoterapia.

Sobre isso, segue um trecho retirado do ótimo blog radiotativos131. Para quem quiser se aprofundar no assunto, recomendo a leitura da postagem completa sobre o tratamento. Por enquanto, lá vai um resumo:

“Iodoterapia é um tratamento feito à base do iodo radioativo, chamado Iodo131. Cerca de um mês depois de retirar o câncer de tireoide por meio de cirurgia, o paciente vai para um hospital onde ingere uma dose de iodo radioativo via oral, por meio de um canudinho. (O líquido é transparente e não tem gosto).

Em seguida, ele fica em um quarto durante até três dias, e não pode receber visitas porque seu corpo emitirá radiação neste período. O objetivo do tratamento é eliminar qualquer resíduo de tumor de tireóide que possa existir no corpo.

O paciente deve evitar contato físico com outras pessoas durante a internação e durante mais alguns dias depois de voltar para casa. Seus talheres, copos, toalhas devem ser separados das outras pessoas durante cerca de uma semana após a alta. Depois de pouco tempo, toda a radioatividade é eliminada do corpo e a pessoa volta às suas atividades normais. Fonte: radiotativos131

Na época de preparação para a iodoterapia, é preciso adotar uma dieta bem rígida, que proíbe desde sal comum (para temperar a comida, é recomendado um sal especial, sem iodo), até frutos do mar, peixes de água salgada, gema de ovo, laticínios, qualquer coisa com corante vermelho, embutidos e por aí vai. Depois dessa etapa, é só ficar acompanhando e fazendo a reposição hormonal diária.

Agora o lado estético: após a cirurgia, é preciso proteger a área dos raios solares e, segundo li no blog Crônicas do Cotidiano, também das luzes fluorescentes. Quando tiver a consulta com a dermatologista, farei essa pergunta. No mais, protetor solar, gola alta e lenços no pescoço na primavera soteropolitana. Que beleza! SÓ QUE MUITO NÃO.

É isso aí. Tô indo começar a caminhada pra valer. Até a volta! ;)
beijo

Finalizando o pré-operatório

Desta vez serei rápida e objetiva para ir direto ao ponto que pode interessar a alguém: meus últimos passos antes da retirada total da tireoide.

Após dar entrada no pedido de autorização da tireoidectomia, segui as instruções do Dr. Augusto e fui em busca de um(a) pneumologista. Tenho asma e há uns bons anos estava com a medicação desatualizada e me entupindo de Berotec, que causa taquicardia, tremedeira e não previne as crises, só apaga o incêndio.

Tem asma, mesmo que controlada, e vai fazer cirurgia? Visite o pneumologista!

Era necessária a avaliação de um especialista. Aliás, não apenas a avaliação, mas um relatório médico do “ponto de vista pulmonar” e uma autorização para o procedimento . O motivo de tanta preocupação? Vou responder com um trecho que retirei do site Asma Brônquica:

“[…] No paciente asmático não é diferente, e apesar dos avanços no seu tratamento permitirem a administração segura de qualquer um dos tipos anestesia, a asma influencia a morbidade e mortalidade operatórias, estando os pacientes com asma brônquica malcontrolada mais propensos a complicações pulmonares no pós-operatório.”

Ou seja: quem tem **, tem medo! =O

Ou seja 2: Negligenciar esse aspecto merece um selo. Não faça isso!

ehcilada

Para não cair numa cilada (Bino..dãaa), encontrei uma ótima pneumologista, a Dra. Manoela Trindade Fontes. Ela solicitou uma espirometria e me fez algumas recomendações que não vou falar pq não quero ninguém se automedicando por aí. ;)

Em seguida, foi a vez de fazer a “entrevista” e tirar dúvidas com o anestesista. Pro post não ficar imenso, recomendo aos interessados a leitura desta matéria (cliquem AQUI), que traz as respostas para as 10 dúvidas mais comuns sobre anestesia geral.

E hoje, dia 13, fui ao consultório do Dr. Augusto Mendes mais uma vez para pegar as recomendações necessárias e liquidar todas as minhas inquietações (“vai fazer esvaziamento cervical?”, “o que fazer com minha cicatrização hipertrófica?”, “posso ir pra balada no sábado?”). O procedimento está marcado para o dia 15, às 15h, e são necessárias 12 horas de jejum. Além disso, só posso beber água (leite nem pensar!) até 09h da manhã de quinta-feira. Vai ser difícil segurar a larica…

Médicos em Salvador e o Selo Savana de Qualidade

medica

Quantas vezes você já trocou de médico pelos mais diversos motivos? Vou listar alguns: o “santo não bate”, o atendimento atrasa, a agenda é apertada, ele(a) não dá a devida importância aos seus sintomas, não passa segurança…

Longe de mim querer tacar pedras na galere, mas a questão é que as consultas, cada vez mais, se assemelham a 10 minutos de interrogatório, finalizado com um sonoro barulho de carimbo na prescrição e o quase audível chamado do “próooximooo”. Burocrático demais, humano de menos. É difícil encontrar um profissional que tire os olhos do computador/teclado e passe alguns minutos ouvindo e conversando com o paciente.

Aos que estão do outro lado da mesa, resta a peregrinação – e uma boa dose de sorte – na hora de montar a própria “equipe”. No geral, tenho me saído bem na missão e trago aqui algumas indicações de médicos em Salvador que carregam o Selo Savana de Qualidade.

Selo Savana de Qualidade

Ainda não fiz a cirurgia, portanto, talvez a lista seja atualizada. Por enquanto, recomendo os seguintes (ao clicar no link, você será redirecionado para a minha opinião sobre cada serviço):

Ginecologista – Ana Maria Lago Bahiense – Gineprev
Endocrinologista – Patrícia Viterbo – Clínica Humana
Alergologista – Gabriela Castro – Alergodermo Clin
Pneumologista – Manoela Trindade Fontes – CEPS
Cirurgião de cabeça e pescoço – Dr. Augusto Mendes

[Bônus] – listinha de lugares onde fiz meus exames e aprovei o atendimento:
PAAF – Clínica AFAC – Álvaro Silva
Laboratórios – Labchecap; Laboratório Sabin
Diagnóstico por imagem – CAM – Clínica de Assistência à Mulher; Delfin Imagem
C
línica MM – Consultório do Dr. Augusto Mendes – (71) 3247-3436 – Ainda vou escrever uma opinião sobre. =)

Tireoidectomia total marcada!

É, a palavra parece um trava-língua, mas é assim que se chama a retirada total da tireoide. Tive a terceira consulta com Dr. Augusto Mendes e ele, após fazer uma cara de “está tudo ok com seus exames”, começou a preencher a guia de solicitação do procedimento.

Eu por fora:

felizinha

Eu por dentro:

gifsamba

A data prevista: 15 de agosto, dois meses e dois dias após abrir o resultado da PAAF. Coincidência? Intervenção divina? Poeira cósmica? Nenhum dos três… só eu, que gosto de colocar as coisas em alguma perspectiva. :)

Aviso aos navegantes: se está com a guia em mãos e algum tempo de sobra, é recomendável ir até o hospital o mais rápido possível e dar entrada no processo de pré-internamento. Eu e minha mãe fomos ao Hospital Santo Amaro assim que saímos da clínica e foi a melhor coisa que fizemos, uma vez que o Bradesco Saúde (e os convênios em geral) levam de 5 a 8 dias úteis para autorizar a cirurgia. Depois disso, ainda é preciso agendar consulta com o anestesista e, se for o caso, fazer os pagamentos necessários. Ou seja: tem que correr contra o tempo. ;)

O Google como o melhor amigo (ou não)

google

Minha primeira atitude ao abrir o resultado da punção foi pesquisar no Google (via 3G, para dar um tempero na história e aumentar a angústia) o que era o tal carcinoma papilífero. A princípio, pularam vários links com o título “Saiba tudo sobre o câncer de tireóide” e eu já pensei em encomendar caixão e vela. Lógico que mudei de ideia minutos depois, após ler em dois ou três sites que eu tinha a “melhor” opção a se ter nesse caso.

Passei dois dias lendo tudo o que encontrava pela internet e foi graças a essas informações que pude ter a tranquilidade necessária para expor a situação e falar sobre o assunto sem deixar escorrer dois rios São Francisco pelo rosto. Tudo muito lindo até aí.

SÓ QUE tem o lado ruim. No início do mês, estive na Delfin do Hospital São Rafael para realizar o último dos exames pré-operatórios. O resultado saiu cerca de uma hora depois e acusou um linfonodo aumentado e suspeito. O que fazer? Google neles! E lá vieram mais e mais estudos e relatos sobre esvaziamento cervical e metástase.

Minha reação:

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Depois de respirar fundo umas 40 vezes e de perguntar se alguém do grupo facebookiano Amigas da Tireóide (aliás, um ótimo espaço para troca de informações) tinha tido algo parecido, achei melhor esperar a visita ao cirurgião. Na consulta, deixei pra entregar esse exame por último e fiquei prestando atenção nas feições dele em busca de alguma denúncia. Anos e anos brincando de detetive me deixaram com um talento nato para analisar caretas. De fato. A expressão ficou mais séria e ele pediu que refizesse o exame com uma especialista de sua preferência. Mais espera, mais dúvidas, mais agonia.

Hoje (15/07) passei o dia na Delfin do Itaigara. Cheguei um pouco depois das 06h30 e só consegui uma senha para o turno da tarde. Retornei à clínica por volta das 13h45 e saí de lá por volta de 18h40, ou seja: perdi o dia. A sorte foi ter encontrado outras duas mulheres com o mesmo caso, pq aí ficamos batendo papo e trocando experiências.

Pra encurtar a conversa: o exame de hoje tirou a dúvida e os linfonodos são do bem. Nada de metástase, nada de esvaziamento cervical. Uhuu! : )

Lição da semana: use o Google com parcimônia.

Segunda consulta – como foi?

Palavras não são suficientes para definir meus sentimentos após a 2ª consulta com o cirurgião, por isso, me inspirei totalmente no tumblr Como eu me sinto quando…

Chego na clínica às 08h30, com consulta marcada para 08h40 e escuto: “ele ligou avisando que vai se atrasar”:

Ah..ok!

 

 

 

 

 

 

 

Duas horas e meia depois:

zzzzz

O cirurgião pede mais um exame para investigar os linfonodos – medinho:

chuinf

Ligo para marcar o tal exame e só tem vaga para o final de agosto:

whaaat?

Posso conseguir ser atendida como extra, se chegar na Delfin às 06h30 da segunda-feira:

ehneh

*apesar de atrasado – culpa das manifestações que infestaram a cidade, pq ele sempre é muito pontual -, Dr. Augusto olhou meus exames com a mesma atenção que teve durante a primeira consulta e, se ele resolveu pedir novas ultrassonografias e investigar melhor, significa que é cauteloso, né. Ainda assim, é muito agoniante esperar mais de 15 dias pra marcar (“marcar”… e não fazer) a cirurgia e ficar logo livre disso. =(