Tireoidectomia – Janeiro

Foram uns quatro ou cinco meses para atingir a marca de cinco mil views. Em compensação, 2014 chegou chutando a porta e só no mês de janeiro já foram mais de três mil visualizações do blog. :)

Juro “pujesui” que não sou eu dando F5 o dia todo! Hehehehe!

Por causa dessas visitas oriundas, principalmente, da busca do Google, resolvi dar uma olhada nos termos mais pesquisados durante o mês e vou responder, sempre nos dias 28, 29 ou 30, as dúvidas mais pertinentes dos (uau!) leitores. Claro, vou falar sobre o que está ao meu alcance, sem me adentrar nas dúvidas estilo ~consultório virtual~ para não acabar invadindo um campo desconhecido.

Em negrito, os termos tal qual foram digitados no Google e trazidos pra cá.

Vamos lá?

Lenço e tireoidectomia – a dupla infalível e imbatível… para quem mora em lugares frios! Em Salvador, onde a média anual se aproxima de “mármore do inferno“, é impossível. Como solução: micropore, protetor solar ou fita de silicone (Mepiform, de preferência).

Sem espaço para lenços!

Sem espaço para lenços!

Quem tem câncer de tireoide pode receber auxilio doença – Pode sim. É difícil, mas eu recebi após a 3ª perícia. Na primeira, disseram que a doença não era incapacitante. Na segunda, disseram que eu estava ótima (ainda não tinha operado) e, na terceira, cinco dias após a cirurgia e ainda com os pontos no local, não tiveram como negar.

Alimentação pós tireoidectomia – Normal. Apenas foi recomendado dar um reforço no leite, iogurte e queijo, ou seja: tudo que é rico em cálcio. Dizem para evitar camarão, peru e presunto pois são conhecidos por dificultar a cicatrização, no entanto, no pós-operatório não me falaram nada sobre eles. De qualquer forma, passei longe por umas semanas.

Tireoidectomia faz cair o cabelo – a cirurgia em si, não. A anestesia e o período que passamos em hipotireoidismo, sim. Calma, molier! O cabelo não cai 100%! Em situações normais, é comum perder cerca de 100~150 fios por dia, no entanto, com esses dois fatores, esse volume fica acentuado. Minha experiência: com quatro meses de cirurgia e dois de Puran T4, os tufos começaram a sair a cada lavagem ou passada de mão. Posso dizer sem exageros que perdi uns 30% do cabelo. O que eu fiz? Vitaminas A, E e D, além da temida Vitamina T, mais conhecida como TESOURA. Cortei na altura do pescoço.

Frio apos tireoidectomia e normal? – Sim. Sou super calorenta e, ainda assim, passei um período dormindo com meia, lençol e manta de microfibra. Quando os hormônios começarem a entrar nos eixos, o frio excessivo passa.

Que sabor tem o liquido de iodo para fazer o exame de cintilografia – Sabor, cor e cheiro de água, ou seja: nada.

Hospitais na Bahia que fazem cintilografia da tireoide – Que eu conheço: São Rafael e Clínica Gamma, no Hospital da Bahia. A Diagnoson também faz.

Inchaço no corpo todo após cirurgia tireoidectomia – Cerca de 18 dias após a tireoidectomia e sem tomar nenhum hormônio, comecei a me sentir inchada. A cada dia, ia piorando e ficava muito evidente no rosto… é como ter o dia inteiro aquela cara de quem acabou de acordar. É mais um sintoma chato do hipotireoidismo que, ainda bem, vai para o espaço algumas semanas depois de começar a tomar o hormônio.

Como emagrecer depois da tireoidectomia – Aháaaaaaa, amyga! Sabe onde você vai encontrar essa resposta? Em um pote de ouro no fim do arco-íris.

Ele também não consegue emagrecer...

Ele também não consegue emagrecer…

Nunca vi, nem comi ouvi, eu só ouço falar. Após a cirurgia, engordei quase quatro quilos e tá difícil, viu! Tenho feito dieta, exercícios e o ponteiro simplesmente se recusa a descer. Relatei isso na última consulta com a endocrinologista, mas, por enquanto, vamos apenas acompanhar a evolução (ou não!), de preferência para baixo. Se você descobrir a fórmula mágica, favor avisar! :)

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Cicatriz x Verão – O que fazer?

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Só de olhar pra essa foto (tirada em Maceió-AL, em 2011… eu acho) já bate aquela vontade de colocar o biquíni e sair correndo em direção a um dia de mar, sol e água fresca. Mas aí tem um certo fator bem no seu pescoço que insiste em lhe preocupar. O que fazer para proteger o local e garantir o bom andamento da cicatrização? 

Minha primeira dica é: calma. Isso mesmo. Fiz a cirurgia em agosto e só em dezembro pisei na praia. Pode parecer um tempo meio exagerado, mas quis garantir que tudo estaria pronto para receber a cola do micropore, a água do mar, o suor e as grossas camadas de protetor solar. Lenço nem pensar, né? Com o calor que faz, pelo menos pra mim, é super inviável. 

Na primeira tentativa, protegi o local com fita de silicone Mepiform, mas é claro que isso não ia dar certo. A pele fica mais úmida que o normal e o resultado foi a fita perdida na imensidão do mar. 

Com micropore, o problema foi a marca que ficou após um dia de sol. Nada legal ter um quadrado branco no meio da pele bronzeada. Além disso, algumas pessoas podem ter reação alérgica por causa do adesivo. 

O que tenho feito: começo com uma camada geral e generosa de protetor solar. Em seguida, coloco BASTANTE protetor só nas cicatrizes da cirurgia e do dreno. Não espalho… deixo brancão mesmo.

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Na hora da foto, devo ter esquecido de passar embaixo. Ops! 

Ah! E não fico torrando no sol. Conferir marquinha é coisa do passado. Se não estou na água, estou bem protegida embaixo do guarda-sol. Vale comprar chapéus ou viseiras maiores, de forma que a sombra proteja a região da exposição direta. Também dá pra passar Hipoglós, Bepantol ou Cicaplast, que têm uma textura mais pegajosa/grudenta e – acredito – saem com menos facilidade. 

Não estou dizendo que as outras formas de cuidado são ruins, mas isso é o que tem funcionado pra mim. 

No mais, aproveite a praia! :) 

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Tirando dúvidas com Dr. Augusto Mendes

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Imagine a cena: você está vivendo a sua vida numa boa, planejando filhos, viagem ou mudança de cidade e aí… PUM! Cai a bomba de Hiroshima e você tem câncer de tireoide (ou qualquer outro câncer que seja). É paralisante em todos os sentidos da palavra. Paralisam-se os planos, você, a família, os amigos mais próximos. Fica todo mundo em suspensão, sem saber o que vai acontecer dali pra frente e, claro,  milhares de dúvidas surgem na cabeça com o passar dos dias.

Para responder as muitas questões que brotam de todos os lados neste período, convidei o cirurgião de cabeça e pescoço, Dr. Augusto Mendes.  Na época da minha descoberta, ele foi indicado por duas pessoas e resolvemos confiar nos depoimentos das pessoas que já conheciam o bom trabalho dele. Foi uma decisão super acertada, diga-se de passagem. :)

Dividi a entrevista em duas categorias. Na primeira, perguntas que fiz com base em pesquisa sobre o assunto. Em seguida, questões levantadas por leitores do blog que chegaram até aqui através de buscas no Google. Vamos lá?

O carcinoma papilífero figura na lista dos tumores menos agressivos. Caso não seja tratado no início, ele pode evoluir para um dos outros três tipos (folicular, medular ou anaplásico) ou continua evoluindo e crescendo, sem mudar de classificação? 

Dr. Augusto Mendes – Os carcinomas de tireoide podem ser divididos em 3 grupos: os bem diferenciados ou de baixo grau de malignidade (papilifero e folicular), os moderadamente diferenciados ou de grau intermediário de malignidade (medular), e os indiferenciados ou anaplásicos, de alto grau de malignidade.

Os bem diferenciados são derivados das células foliculares, e os medulares são provenientes das células parafoliculares. Portanto os carcinomas papiliferos não podem se transformar em carcinomas medulares, pelas linhagens celulares diversas que apresentam. No entanto, os carcinomas papilíferos ou foliculares, se não tratados e negligenciados, poderão em uma fase mais avançada se transformar em um tumor anaplásico.

Os motivos que levam o câncer de tireoide a ser mais recorrente em mulheres já são conhecidos? 

AM – As tireoidopatias benignas e também as malignas são mais incidentes em mulheres. Acredita-se que tal fato de deva ao fator hormonal ligado ao gênero.

Quais cuidados o paciente deve ter imediatamente após a tireoidectomia?

AM – Após a tireoidectomia devemos tomar alguns cuidados gerais. Evitamos molhar a cicatriz cirúrgica nos primeiros dias do pós operatório. A exposição solar deve ser evitada diretamente sobre a cicatriz por um período de 90 dias aproximadamente. Atentar para o histórico de cicatriz hipertrófica ou de quelóides, que poderão precisar de cuidados especiais como uso de corticóides ou até de betaterapia, que é uma radioterapia aplicada sobre a cicatriz, de preferência nas 24h que se seguem à cirurgia.

Depois de uma tireoidectomia, qual o prazo para voltar a fazer atividades físicas? 

AM – A volta às atividades físicas dependerá muito da programação terapêutica a que o paciente será submetido. Pela cirurgia em si, o prazo de 15 a 30 dias é o suficiente para este início. Porém, caso haja necessidade de radioiodoterapia, o paciente terá que entrar em um estado de hipotireoidismo, o que acarretará um atraso maior para esta retomada.

Existe uma posição mais indicada na hora de dormir? 

AM – Esta é uma dúvida frequente dos pacientes tireoidectomizados. Recomendamos que não se faça esforços nem movimentos bruscos na região cervical nos primeiros dias, portanto, a posição neutra do pescoço parece ser a ideal neste período, ou seja, decúbito dorsal (barriga para cima).

 Dúvidas dos leitores

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Sentir tontura após a tireoidectomia é normal? 

AM – As principais intercorrências após as tireoidectomias são relativamente raras, principalmente nas mãos de cirurgiões experientes e com vivência na área de Cirurgia de Cabeça e Pescoço. A disfonia (rouquidão) pode ocorrer em cerca de 3% dos casos, e a hipocalcemia definitiva (queda permanente dos níveis de cálcio no sangue) em até 6% dos pacientes.

Tontura é um sintoma geral que pode ocorrer no pós operatório, traduzindo mais frequentemente uma hipotensão postural (queda da pressão sanguínea).

Qual o tratamento para o carcinoma papilífero? 

AM – O tratamento padrão do carcinoma papilifero da tireoide continua sendo a cirurgia seguida ou não de radioiodoterapia (a depender da classificação de risco para recidiva). A cirurgia preconizada é a tireoidectomia total, acompanhada ou não de linfadenectomia (esvaziamento) cervical. Se houver suspeita de linfonodos (gânglios) acometidos, deverá ser realizada a sua remoção. Algumas tecnologias relativamente recentes tem agregado segurança às tireoidectomias, como o bisturi harmônico e o monitor de nervo laríngeo.

Todo paciente com carcinoma papilífero tem que fazer iodoterapia? Em quais casos a iodoterapia não é recomendada?

AM – A radioiodoterapia deverá ser indicada naqueles pacientes estratificados como de alto risco para a  recidiva (volta) da doença. Alguns fatores de impacto negativo nesta classificação são idade acima de 45 anos, presença de metástases, invasão de vasos e de estruturas além da glândula tireóide, pelo tumor, ou ressecção incompleta da doença através da cirurgia.

Todo mundo que faz tireoidectomia tem depressão depois? 

AM – A depressão quando ocorre, geralmente pode ser imputada ao hipotireoidismo prolongado que poderá ser necessário para o preparo para o radioiodo. Este hipotireoidismo poderá ser evitado com o uso de TSH recombinante, que é um método “artificial” de aumentar o TSH, e então permitir o tratamento pós operatório.

Espero que possa ajudar e que tenham gostado! Mil obrigadas pela participação, Dr. Augusto! :)

Onde Dr. Augusto Fernandes Mendes atende:

Clínica MM
Centro Médico Empresarial – Av. Anita Garibaldi, nº 1815 – Sl 209 – Bloco B
Ondina – Salvador – BA
71 3247-3436

Se você está em Salvador e ainda não tem cirurgião, não pense nem um segundo a mais. Indico de olhos fechados! :)

Nota 10!

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E não é que o blog atingiu as 10 mil visualizações? :)

Para comemorar o marco, em instantes teremos um post suuuuper especial e esclarecedor. Fiquem de olho! ;) 

Abraços e obrigada pela visita! 

Evolução da cicatriz da tireoidectomia

Se existe método que promete afinar, clarear ou melhorar a aparência da cicatriz, estou testando. Há quem defenda o “uso” da marca como um troféu da vitória sobre o câncer. Acho válido, mas não em mim, que tenho tendência à cicatrização hipertrófica.

Quer saber como cuidar da cicatriz? Clique AQUI

Depois de lançar mão de protetor solar, cicaplast, kelocote, cicatricure, contractubex, medgel e mepiform (estas duas últimas são fitas de silicone), aceitei que as coisas ficariam desse jeito:

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 Estive no consultório do Dr. Augusto Mendes para levar alguns resultados e a cicatriz chamou a atenção dele. Contei que já tinha feito de tudo e tcharãaa… eu estava enganada. Ainda não tinha tentado todas as opções e fui encaminhada para um cirurgião plástico. O próximo passo: infiltração de corticóide.

O procedimento é simples e dura menos de um minuto. O cirurgião injeta o corticóide com uma agulha bem fina em toda a extensão da cicatriz. Com uma aplicação já dá pra ver a diferença, mas cada corpo reage de uma forma e podem ser necessárias outras sessões.

Já tive piercing e tenho uma tatuagem grande nas costas; faço sobrancelha no salão e uso cera fria no buço (antepassados portugueses, hehehe). Nada disso doeu tanto quanto essa tal infiltração.

Se não acredita, veja só como ficou a região logo após o procedimento:

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E o resultado? Meu parâmetro é essa bolinha onde ficou o dreno. Ela era bem grandinha e agora parece uma espinha mal curada.

Deixarei a imagem comparativa responder:

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Depois da primeira aplicação, pensei que nunca mais voltaria ao consultório, no entanto, já indo para a 3ª injeção. Se serve de consolo: a 2ª vez foi bem menos traumática.

Já dizia minha mãe (e a mãe dela repetia para ela): “quem quer ser bonita, sofre”. Pra mim, o sofrimento ainda está valendo a pena.  : )