Tirando dúvidas com Dra. Patrícia Viterbo

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E aí você:

a) Tem câncer na tireoide

b) Fez ou vai fazer tireoidectomia total

c) Fez ou vai fazer iodoterapia

d) Todas as anteriores

Não importa qual é a sua alternativa: milhares de dúvidas surgem na cabeça com o passar dos dias. Para responder as muitas questões que brotam de todos os lados neste período, convidei a endocrinologista Patrícia Viterbo. Não por acaso, é com ela que estou fazendo o acompanhamento. ;)

Dividi a entrevista em duas categorias. Na primeira, perguntas que fiz com base em pesquisa sobre o assunto. Em seguida, questões levantadas por integrantes do grupo Amigas da Tireoide. Vamos lá?

1- A tireoide tem como função principal a produção de dois hormônios, tiroxina e tri-iodotironina (T3 e T4), além da calcitonina (em menor escala em comparação com os outros dois). Apesar de não serem diretamente relacionados com os hormônios sexuais, o excesso ou a queda de produção de hormônios pela tireoide também interferem na libido. Como fica essa questão após a tireoidectomia total?

R – A deficiência ou o excesso realmente interferem na libido. Após a tireoidectomia total, fazemos reposição de levotiroxina (hormônio que a tireoide estaria produzindo) com aumento de forma gradativa, até chegar na dose adequada para cada paciente. Isso é individual e depende de vários fatores, como medicações em uso, tipo e horário de alimentação, peso, capacidade de absorção da droga e etc. Por exemplo: pessoas que se submeteram à cirurgia bariátrica, precisam de doses maiores, já que a absorção não é tão boa.

2- A presença do tumor já é suficiente para desregular os níveis de T3 e T4?

R – Não. Na maioria das vezes, os nódulos malignos estão associados com função tireoidiana normal, o que não significa que você não possa ter um nódulo maligno em paciente com hipo ou hipertireoidismo.

3- A reposição hormonal oferece riscos e efeitos colaterais a médio e longo prazos?

R – Normalmente, só se a dosagem não estiver adequada.

4- A fertilidade (masculina ou feminina) fica prejudicada?

R – Mais uma vez, a dosagem adequada é essencial para evitar esse tipo de problema.

5 – Por que é preciso tomar o hormônio em jejum e antes de se alimentar?

R – Porque o alimento interfere na absorção do hormônio. Você deve esperar 30 minutos (no mínimo) após o uso do hormônio para se alimentar e o estômago deve estar vazio.

 Perguntas do grupo “Amigas da Tireóide”

1- “Fiz uma PCI após um ano de cirurgia e iodoterapia, não deu nada, tudo limpo, mas minha TG ainda continua muito alta. No final do ano passado, fiz ultra-som, raio-x e todos os exames estavam excelentes. O único que está alterado é a TG. Mas antes da cirurgia minha TG estava na faixa de 4.600, se eu não me engano. Estou com uma Pet Scan marcada ainda pra esse mês. Queria saber se isso é normal, o que poderia ser, se pode estar tudo bem e se a TG vai caindo gradativamente mesmo…

R- A tireoglobulina é um marcador tumoral porque ela é produzida pelas células tiroidianas. O valor encontrado antes da cirurgia não deve ser considerado, pois sua tireoide ainda estava ativa. Quando o paciente é submetido à tireoidectomia total, espera-se que a tireoglobulina caia para menos de 2. Se a tireoglobulina continua alta, é preciso pesquisar a origem de produção. Como a PCI não detectou nada, a alternativa é investigar com o Pet Scan.

2- A injeção do Thyrogen atrapalha pra engravidar?

R- O Thyrogen é o TSH recombinante feito em laboratório. Ele é utilizado no exame de PCI para estimular as possíveis células tireoidianas que ainda podem permanecer no organismo a produzir tireoglobulina. Se não houver células tireoidianas, a tireoglobulina pós-thyrogen deve ser <2,0 ng/ml. Normalmente em um ou dois meses o TSH recombinante é eliminado completamente do organismo.

3 – É verdade que no caso do câncer de tireoide é preciso fazer o acompanhamento por 10 anos, ao invés de 05 anos, como nos casos de outras neoplasias?

R – Normalmente, o acompanhamento com PCI é feito durante cinco anos, mas o acompanhamento da dosagem hormonal e de tireoglobulina é feito por toda a vida. Se houver alteração de tireoglobulina, são solicitados raio-x de tórax, ultrassonografia da região cervical e pet-scan para tentar localizar o possível foco de produção da tireoglobulina.

4- Existe algum caso em que a iodoterapia não é recomendada?

R – Sim. Em alguns casos de microcarcinoma em que a captação no leito tireoidiano é menor que 2% não se recomenda iodoterapia.

5- Gostaria de saber se com mais de cinco anos de operada é preciso tomar algum tipo de vitamina ou cálcio com frequência, de uso contínuo.

R – Se não houver deficiência de cálcio ou de vitaminas, não é necessária a reposição.

Espero que possa ajudar e que tenham gostado! Mil obrigadas pela participação, Dra. Patrícia! :)

Onde Dra. Patrícia Bacelar Viterbo atende:

Multiclin – 71 3270-9200

Clínica Ser – 71 3347-0000

Clínica Humana – 71 3355 3600

Centro Médico Santo Amaro – 71 3339-5240

Centro Médico São Rafael – Garibaldi – 71 3330-5126

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Do Brasil ao Japão

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Foto daqui

Este é um post comemorativo! 

Sei que existem muitos blogs por aí que atingem 5.000 views em um mês, uma semana ou um dia. Foram quatro meses e alguns dias até chegar a este ponto, mas vamos combinar, né? Não estou falando de moda ou beleza, não trago dicas fitness ou de jogos e, por estas bandas, o humor é consequência. Câncer de tireoide é um assunto mais delicado e bastante específico, apesar de ter se tornado muito comum. Continuo sem saber porque não enfatizam mais o fato desta ser a quarta neoplasia maligna mais comum em mulheres. É como se só tivéssemos que prestar atenção em mamas e útero, mas as coisas não devem ser assim…

câncer de tireoide é o quarto mais comum na mulher brasileira com 10.590 casos anuais, segundo estimativas do INCA. Está atrás apenas de câncer de intestino e reto (15.960), colo do útero (17.540) e mama (52.680). A boa notícia é que a doença está sendo descoberta precocemente em 90% dos casos e, para estes pacientes, a chance de cura é próxima aos 100%. “A rotina dos exames de função de tireoide e ultrassom tem propiciado a descoberta da doença cada vez mais cedo, quando os nódulos ainda não apresentam sintomas. Isso faz da doença uma das menos letais, com taxa de sobrevida em cinco anos de 97%”, destaca Luiz Paulo Kowalski.

Fonte: AC Camargo Cancer Center

Ok, ok… vamos parar com o sermão por aqui, afinal, 5000 views pedem confetes e comemoração! :) 

narcisaaa

Estou bem satisfeita, pois percebi que meu blog está cumprindo o papel de levar informações e ajudar outras pessoas que estão passando pela mesma situação. Pode parecer simples à primeira vista, mas ajuste de hormônios, sintomas de hipotireoidismo e o pode-não-pode da dieta pobre em iodo dão um nó nas nossas cabeças. 

Agora uma pausa para as curiosidades. ;) 

  • Analisando as estatísticas do WordPress e do Google, descobri que as postagens sobre iodoterapia, direitos do paciente e cuidados com a cicatriz são as mais populares. 
  • Portugueses estão em terceiro lugar no ranking de visitantes. Medalha de prata para os Estados Unidos.
  • Já tive visitantes de Moçambique e de Cabo Verde, países que têm o português como língua oficial. Fiquei super feliz, pois comprovou que o blog está cumprindo o papel dele. :) <3 
  • A medalha de lugar mais distante vai para o Japão   -_-   <– amigos de olhinhos puxados. :)
  • Também já tive um visitante proveniente dos Emirados Árabes, mas não tenho nenhuma teoria sobre isso.
  •  Alguém não sabe expressar o que quer e chegou ao meu blog depois de procurar aliens: 

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Pra finalizar: outubro foi um mês estranho para mim e para esse blog. Apesar de só ter tido duas postagens, bateu o recorde de visitas, trazendo um sentimento de shame on me. Existe muito a ser falado por aqui, mas perdi o foco e o ânimo por algum motivo estranho. Usei Thyrogen, fiz PCI, fiz dieta (tenho novas receitas!) e, mesmo com tanta coisa a ser dita, não trouxe nada para cá. Até pensei em fazer um post intitulado “O lado ruim das coisas ruins” (já tinha título pq eu realmente refleti sobre o assunto), mas até agora não decifrei se era um caso de estado de espírito ou de desajuste hormonal, então achei melhor deixar pra lá. O que importa é que estou de volta. :)