Resultado da biópsia e mais comemoração

Eu disse que voltaria com novidades e cá estou eu. Ontem foi o dia de pegar o resultado da biópsia no Hospital Santo Amaro. Quando liguei pra lá no início da semana, me disseram que poderia buscar o documento a partir das 16h. Eis que chegou o dia 29. Telefonei por volta das 09h30 só pra confirmar o horário e me disseram que já estava pronto para entrega. Uhu! Incorporei o The Flash (sdds anos 90) e cheguei ao setor de entrega em pouco mais de 40 minutos.

Vamos deixar a imagem falar mais que mil palavras?

Clica que aumenta

Huuum… certo. Ninguém tem a obrigação de entender o que está escrito, então vamos ativar a tecla SAP.

O tumor realmente era maligno, mas menor do que aparecia para nós nos exames. Por lá, 1cm. Na real, 0,6 cm. É uma diferença pequena, mas que é suficiente para rebaixar o tal temido carcinoma papilífero devastador e malvado a um microcarcinoma papilífero imbecilzinho de nada (agora, né? que já tá fora de mim, hehehe).

“Tá, Savana. O nódulo era maligno. Qual é a boa notícia?”. A boa notícia é que ele era menor, ora. E que não tem sinal de metástase e nem de outros tumores em formação, já que a biópsia diz que não há alterações no restante da glândula. A notícia nem sempre precisa ser grandiosa pra ser boa.

Bem, temos que considerar que pelo visto eu tinha uma mini-tireoide, né? Enquanto as outras têm entre 15g e 30g, a minha pesava 11g (menos que uma latinha de Vick) e o lobo onde o tumor morava tinha 3,4 cm no maior lado. Tá proporcional, né?

Tireoide slim: mais leve que uma latinha de Vick

Ansiosa e tudo-pra-ontem que sou, liguei pro consultório do Dr. Augusto e perguntei pra Maria se dava pra mostrar o laudo ainda naquela manhã. Sinal verde e lá vamos nós! 

Fui encaminhada para uma médica nuclear, que vai avaliar a necessidade de entrar com o tratamento complementar: a iodoterapia. Se não tiver que fazer, bom. Se for necessário, não tem problema. Até terça! ;)

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Como foi? Como foi?

Ma oêee! Tô de volta! Desta vez com um post que promete ser looongo. Para facilitar a vida dos meus queridos leitores (cof, cof!), farei uma divisão por tópicos.

1. A cirurgia e o pós-operatório inicial

2. João

3. O Hospital Santo Amaro – onde NÃO se internar

4. O pós-operatório da tireoidectomia

5. Bibliograf… ops! Hehehe… foi mal!

Senta que lá vem história!

1. A cirurgia e o pós-operatório imediato

Para todo mundo que perguntava se eu estava com medo, eu dizia: “nem com medo e nem nervosa. Estou ansiosa.” E era verdade… pelo menos até entrar no centro cirúrgico. Eu continuava sem sentir medo, mas meu corpo, tremendo muito, dizia o contrário. Eu dizia que não sabia se era de frio ou por conta do nervosismo, mas hoje sei que era a segunda opção, afinal, a temperatura não estava tãaao baixa assim a ponto de fazer a tremedeira ser visível e constante. O combinado era tomar um tranquilizante antes dessa etapa, mas não deu tempo por conta da “ótima organização” (só que mega-não) do Hospital Santo Amaro.

O anestesista encontrou minha veia e começou a aplicar a medicação. Lembro dele conversando comigo, perguntando da minha asma e falando que tinha um pó de espinha de peixe que era muito b….APAGUEI! Na verdade, não sei se apaguei, mas só lembro até aí. Não tive nem aquela sensação do sono chegando (ou, se tive, não tive consciência). Foi como se eu fechasse os olhos e abrisse três horas depois, com João dizendo “oi, oi, já acabou”.

Anestesia geral – como eu achava que era:
anestesia 2Anestesia geral – como é:

anestesia

O pós-operatório imediato – acordei da anestesia e não conseguia abrir os olhos direito. Era como se tivesse com muito sono e duas barras de 5kg em cada pálpebra. Também fiquei com tontura e bem enjoada, mas passou depois de “fazer a Trixie em ‘O Pestinha 2’”.

Quem lembra da cena do parque?

Quem lembra da cena do parque? Eeeugh!

Chegando ao quarto, não conseguia falar direito em virtude da dor na garganta causada pelo entubamento. Minha voz foi melhorando aos poucos e de manhã já conseguia conversar quase normalmente, ou seja: nada de rouquidão. UhU!

A dor de garganta me acompanhou durante cinco dias. Era difícil comer, mas eu comia mesmo assim (claro, né?). O cirurgião, Dr. Augusto Mendes, indicou o consumo de derivados do leite e recomendou que tomasse cálcio. Assim o fiz por pouco mais de uma semana. Já a Novalgina, indicada para quando sentisse dores, suspendi no domingo (3 dias após a cirurgia) pois já não sentia mais nenhum incômodo.

Os maiores inconvenientes foram: muito sono nos três primeiros dias, quando eu dormi mais de 10h por noite e tirei sonequinhas ao longo do dia e um inchaço que me acompanhou por mais uns quatro ou cinco dias.

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Posso dizer que, além de estar em ótimas mãos, tive sorte, né? : )

2. João

Se não me engano, conheci João em 1999, quando morei em Santo Amaro. Só pra dar uma noção da época: ele era o menino que andava de BMX e aprendia a tocar Renato Russo no violão e eu fazia parte de um grupo cover de Spice Girls. #velhice

Na época, tinha 13 anos e a vida era aquela farra de não ter muitas preocupações e ficar “na porta” dos amigos. A porta em questão era a da casa dele. Já ao grupo de amigos, poderíamos incluir Alice e Marcos (os irmãos) e Tia Hermínia, que entrava na farra com a gente, e Seu Zezão, que tava sempre por ali pra dar uma regulada na nossa bagunça. Foi um período muito bom, mas o tempo fez o que quase sempre costuma fazer: levou cada um a viver suas vidas e a fazer novas amizades, com novos interesses e assuntos em comum.

O reencontro aconteceu em 2012 e não perdemos mais o contato. Melhor ainda: a amizade se fortaleceu e ganhou novos personagens – Alex, meu namorado, e Larissa, namorada dele.

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Até aqui é uma história legal, né? Mas ela fica ainda melhor.

Desde o diagnóstico de carcinoma papilífero, João conversou muito comigo sobre esse assunto específico: tirou minhas dúvidas, procurou respostas e trouxe exemplos de como o câncer em questão é curável. O ponto alto foi quando ele se ofereceu para acompanhar a cirurgia. Preciso dizer o quanto minha mãe (que já tinha pensado nessa questão) ficou feliz?

Chegou o dia da cirurgia e João também levou um chá de cadeira (para entender sobre esse assunto, leia o tópico 3). Alex chegou em seguida e ficamos os cinco (Eu, minha mãe, meu pai e eles dois) na recepção. Durante este período, ele nos explicou um monte de coisas sobre o procedimento, anestesia geral e outras tantas coisas que ninguém conta para nós. Foi uma orientação muito boa e eu pude subir para a cirurgia já sabendo o que me esperava.

É mágica? Teletransporte? Não sei, só sei que quando cheguei ao centro cirúrgico ele apareceu logo depois para avisar que estava ali, pronto para ser os olhos da minha família naquela sala. Só lembro até aí, mas soube que o tudo foi narrado por ele via SMS. Ao invés de, sei lá, três horas de apreensão, minha família teve três horas de informação. Não tenho palavras para agradecê-lo por essa atitude e ele já sabe que seremos gratos forever por isso, mas não custa deixar registrado. = )

3. O Hospital Santo Amaro – onde NÃO se internar

O Hospital Santo Amaro é integrante da Fundação José Silveira, o que traz boas referências para a instituição. Não está entre os maiores da cidade, mas não deixa de ser uma boa opção. Bem, só se for para os outros. Se eu tivesse que dar uma nota de 0 a 10, daria 2. Acham que estou sendo muito má ou exigente demais? Então acompanhem a minha experiência e digam se não tenho razão.

Para começo de conversa, o Hospital não tem estacionamento. Sendo assim, ir para lá de carro só se você carregar cilindros de paciência no porta-malas para encontrar uma vaga no meio daquela confusão. Alternativa: ir de táxi ou deixar o carro em um dos dois estacionamentos próximos ao Campo Santo e andar um trecho a pé (trecho este que inclui duas ladeiras).

Não posso negar que o processo de pré-internamento e marcação de consulta com o anestesista foi bem rápido e organizado, mas para por aí.

No dia da cirurgia, o procedimento estava marcado para 15h. Pediram-me para chegar por volta das 11h30 para dar início ao processo de admissão de paciente e internamento. Foi o que fizemos. No horário combinado, lá estávamos eu, minha mãe e meu pai. Documentos entregues e espera, muita espera e nenhum posicionamento por parte do hospital. Em certo momento, me chamaram para “acertar as contas”. Isso pq meu plano é enfermaria, mas optei pagar R$ 300,00, referentes à três diárias, para ficar acomodada no quarto e ter direito a um acompanhante. Esse pacote de diárias começa a contar a partir das 10h e não pode ser fracionado. Se for preciso ficar menos tempo no hospital, o valor excedente é reembolsado em até 07 dias*.

Já passava das 14h e, teoricamente, minha diária já tinha começado, mas tive que continuar na sala de espera até 16h40 devido à falta de leitos. Durante a entrevista com o anestesista, ele falou que me dariam um tranquilizante antes da ida para o centro cirúrgico, para que eu chegasse por lá mais sossegada. Vocês acham que isso aconteceu? Pois é… não. Segundo a enfermeira, a equipe já estava pronta e não daria tempo do medicamento fazer o efeito esperado. Então vamos recapitular: cheguei 11h30, subi para a enfermaria às 16h40 só para tomar um banho e colocar a roupa do hospital. Depois daí, fui direto pro Centro Cirúrgico. Desorganização pouca no ** dos outros é refresco, né? #provérbios #revoltz

E tudo isso em jejum total. Sem comida desde a meia-noite e sem água desde 09h da manhã. #mariadobairro #sofredora

As enfermeiras da noite/madrugada merecem uns parágrafos só delas. Já de volta da cirurgia, veio uma medir minha pressão. Meu pai, que tem pressão alta, perguntou se ela também poderia medir a dele e ela respondeu de maneira ríspida que era proibido. Tá certo, realmente é muito complexo, demorado e custoso medir a pressão de alguém. #sóquenão

Segundo ponto: durante a noite, elas entravam no quarto feito um furacão, fazendo o maior barulho, sem o menor cuidado ou respeito por quem está se recuperando e pelo acompanhante que está ali em um sofá-cama nada confortável. Imagine aí: você está dormindo no silêncio. De repente, o som de uma porta sendo aberta com força e batendo na parede, seguido por uma corrente de ar e o barulho de passos e coisas trepidando na bandeijinha de metal que elas trazem. A pessoa acorda no susto. Agora imaginem isso 6 vezes na noite. É de lascar!  Às vezes eu até achava que elas estavam revoltadas por eu estar dormindo e elas não. Muitos partos são feitos no Hospital Santo Amaro e ficamos nos perguntando se elas também entravam daquela forma no quarto das mulheres com bebês. Pra terminar: em uma dessas visitas da enfermeira, minha mãe perguntou qual medicamento eu iria receber. A resposta: “eu vou dizer à paciente”.  Eu tava meio sonolenta, meio grogue e era bem capaz d’eu não entender o que ela ia dizer. Custava dar a informação? Pra mim, essa foi a pior parte.

Vou pular a parte do jantar que só chegou ao quarto por volta da meia-noite, assim como a do desjejum sem graça e a do lanche com suco de manga sabor água. O almoço foi a melhor parte: tinha sabor e tinha sorvete de coco na sobremesa.

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No fim da manhã, Dr. Augusto passou por lá para dar uma olhada, fazer o curativo, tirar o dreno e me dar alta (eba!). Enquanto me trocava para ir embora, o curativo do dreno começou a ficar vermelho, vermelho, vermelho. Minha mãe foi chamar a enfermeira uma vez. Esperamos e nada. Foi chamar de novo. Mais espera. Só na terceira vez é que veio alguém e fez um novo curativo. Quer dizer, né… ainda bem que não tava morrendo.

*- Talvez eu deva aumentar a nota do Hospital. Só me cobraram uma diária, o que é justo se formos considerar que passei menos de 24h no quarto, mas vai de encontro ao que está estabelecido no panfleto deles, que diz que as diárias começam às 10h. Faz 15 dias que fui operada, mas ainda não fizeram o reembolso. Vamos aguardar.

4. Pós-operatório da tireoidectomia

Já em casa, era hora de me acostumar à nova rotina. Me apossei do SuavEncosto de minha irmã e foi com ele que dormi na primeira noite fora do hospital. Na segunda, optei pelo travesseiro. Na terceira, já dormia de lado, mas com outro travesseiro servindo de apoio para o braço, de forma a não girar demais o tronco. Hoje, 15 dias depois, ainda fico com medo de dormir de bruços.

Pra tomar banho, tentei não molhar o curativo da cirurgia e do dreno, mas não teve jeito e tirei os dois na segunda, mas sempre tentando manter longe do sol e protegido com uma gaze. Foi só aí que pude ver como a região tinha ficado. (Atenção: desça rápido e pule essa parte se vc tem estômago fraco ou “ginge”). O corte foi feito bem na dobrinha do pescoço e promete ficar bem discreto. Palmas para Dr. Augusto! :)

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Foto 01 – após 04 dias
Foto 02 – após 08 dias

Na terça-feira, contrariando as indicações de repouso, fui pro bar! Mas calma! Nada de farra, bebidas alcoólicas ou aqueles alimentos que – crendice ou não – dificultam a cicatrização. Foi rapidinho, só pra comemorar. E haja comemoração na minha família, viu! Do dia 15 de agosto pra cá, foram umas quatro ou cinco (não é exagero).

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Na sexta-feira, oito dias após a cirurgia, fui ao hospital para tirar os pontos e fazer um novo curativo. Suava frio só em pensar nisso. Cheguei no consultório e quando pensei que estava só começando, já tinha terminado. É muito rápido e a área perde um pouco da sensibilidade (temporariamente, acredito), ou seja: não precisa ter medo. Foi recomendando manter o curativo por mais uma semana, pois a compressão ajuda no processo de cicatrização.

Hoje, dia 29, tenho uma vida quase normal. Não carrego peso e nem tenho feito exercícios, mas já dirigi “daqui até ali”. Percorri pequenas distâncias pra evitar forçar o pescoço para os lados e fazer movimentos bruscos. Tô meio Robocop/Vera Fischer nesse sentido, mas mais por medo e precaução, não por dor. E chega né? Vamos encerrar esse post por aqui que amanhã tem mais! ;)

Direitos dos pacientes com câncer

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Pacientes com câncer têm direitos que muitas vezes desconhecem. São tantas particularidades que é melhor dar a voz a quem entende do assunto, né? ;)

O post de hoje traz uma entrevista com a Cássia Montouto. Vamos conhecê-la um pouco mais?

cassiaAdvogada, consultora e assistente jurídico. Assessora Jurídica do Instituto Oncoguia, sediado na Cidade de São Paulo. Bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e pós graduada em Direito Civil, Processual Civil e Empresarial pelo Complexo Jurídico Damásio de Jesus. Presta consultoria jurídica na área de Direito à Saúde, além de ministrar cursos e palestras para advogados, médicos, profissionais da saúde e pacientes. Ela também é editora do site Direito à Saúde, onde é possível encontrar um bom conteúdo sobre o tema.

O site do AC Camargo Cancer Center traz uma cartilha com todos os direitos listados. Clique AQUI e vá direto para a página.

Chega de blábláblá. Vamos conferir o que a Cássia tem a dizer? ;)

Quais são os direitos do paciente com câncer? 

Muitos são os direitos dos pacientes com câncer. Via de regra a legislação confere direitos e benefícios especiais aos portadores de doenças graves. A lei define como doença grave uma categoria de patologias entre as quais se enquadra a Neoplasia Maligna (Câncer). São exemplos de direitos concedidos aos portadores de Neoplasia Maligna o saque do FGTS, o saque das cotas PIS/PASEP, a concessão de isenção de imposto de renda  sobre os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma. Por outro lado, existem benefícios que são concedidos a qualquer paciente, desde que apresente incapacidades para o trabalho e seja segurado do Regime Geral de Previdência Social. Estes benefícios são o Auxílio Doença (para incapacidades temporárias) e a Aposentadoria por Invalidez (para incapacidades permanentes). Por fim, existe um grupo de benefícios que dependem da verificação de incapacidade permanente após a assinatura de contrato que enseja pagamento de prêmios e/ou indenizações, como é o caso do Seguro de Vida, Previdência Privada e Quitação de Financiamento Imobiliário.

Esses direitos se aplicam a todos os casos de neoplasia? Desde os mais simples até os mais complexos? Ou existe alguma diferenciação? 

Nos casos em que a lei confere o direito única e exclusivamente pelo requisito da pessoa ser portadora de Neoplasia Maligna, sim. Como é o caso da isenção do imposto de renda. Qualquer paciente de câncer, seja do mais simples ao mais complexo, terá direito à isenção do IR sobre os proventos recebidos a título de aposentadoria, pensão ou reforma. Não importa qual é o tipo de Neoplasia apresentada. Por outro lado, existem direitos que serão concedidos a um grupo específico de pacientes, por questões que se aplicam somente a esta categoria. É o caso da isenção do pagamento do IPVA. Este benefício é estipulado pelos Estados, por se tratar de um imposto Estadual. Tenho conhecimento que a maioria das legislações estaduais conferem o direito a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida que adaptem seu veículo para suprir a deficiência apresentada. A pessoa com deficiência, ainda, terá de retirar a CNH especial para a condução de veículo adaptado às suas necessidades. As mulheres mastectomizadas são exemplo de caso que enseja o requerimento da isenção, pois poderão adaptar seu veículo com câmbio automático e direção hidráulica em razão da intervenção cirúrgica e a perda da mobilidade do braço. Este é um exemplo de benefício que se aplica a um tipo de câncer específico, qual seja o de mama, e não se aplicaria por exemplo a um câncer de garganta, por este último não ensejar nenhuma adaptação veicular.

Quais são os requisitos para entrar com o pedido de auxílio doença? 

Primeiramente, a pessoa terá de ser segurada do Regime de Previdência Social ou estar em período de graça. Por período de graça, entende-se o período que o RGPS mantém a qualidade de segurado do paciente, mesmo estando ele sem contribuir, por um determinado tempo fixado em lei. Este período varia de no mínimo 3 (meses) ao período máximo de 3 (três) anos.

Verificada a qualidade de segurado, o paciente deverá requerer o benefício em um posto do INSS ou pelo telefone 135. Será agendado um dia para a realização de perícia médica, que confirmará a incapacidade temporária para o trabalho do paciente e concederá o benefício por um período predefinido, ou negará o benefício.

Em casos de negativa há a possibilidade de ser realizado recurso administrativo perante o INSS e/ou, concomitantemente, poderá ser avaliada a viabilidade de propositura de ação judicial. Para tanto, o acesso à justiça poderá ser intermediado por profissional advogado, ou havendo a impossibilidade financeira do paciente arcar com os custos deste profissional, poderá ser contatada a Defensoria Pública mais próxima da residência do paciente.

Situação 01: Estou em período de experiência e descobri que tenho câncer. Posso ser demitida ou tenho alguma estabilidade? 

Inexiste na legislação trabalhista qualquer tipo de estabilidade concedida ao paciente com câncer em função da doença. Sendo assim, salvo casos de discriminação em que a demissão se dá única e exclusivamente por ser o empregado portador de determinada patologia, poderá ele ser desligado da empresa em qualquer momento de seu contrato de trabalho, caso convenção coletiva de trabalho não estipule o contrário. Casos de discriminação podem ser levados ao poder judiciário que tem entendido pela reintegração do empregado ao trabalho e o pagamento de indenização pelos danos morais sofridos.

Situação 02: Por causa do tratamento, entrei em licença. Tenho a garantia do emprego por algum período? 

Não. Salvo casos de doença profissional ou acidente de trabalho, inexiste na legislação direito à estabilidade de emprego pós gozo de auxílio doença. No entanto, a orientação é que o paciente contate o sindicato de sua categoria profissional para a análise da convenção coletiva de trabalho, para a verificação de existência de possível cláusula que preveja a hipótese de estabilidade ao paciente pós gozo de auxílio doença/licença.

Situação 03: A empresa não está respeitando meus direitos. A quem devo recorrer? 

A orientação é que o paciente mantenha uma relação harmoniosa com a empresa, contatando o setor de recursos humanos diante de desrespeito de algum direito específico. Se ainda assim o direito não estiver sendo respeitado, a orientação é que o paciente contate um advogado trabalhista para que seja analisado o contexto da situação e analisada a viabilidade de ações no âmbito administrativo e/ou jurídico, se necessário.

Nos casos de câncer de tireóide, existe uma injeção que traz mais qualidade de vida para os pacientes, chamada Thyrogen. Por vezes, o SUS e os convênios se negam a conceder este medicamento. O que pode ser feito?

No âmbito dos Planos de Saúde a orientação é que a ANS seja contatada (0800 701 9656), para a averiguação de irregularidade na dispensação do medicamento. Ainda, caso o medicamento não seja fornecido pelas vias administrativas, a orientação é que o paciente contate um advogado ou Defensor Público para a análise do caso e adoção das medidas judiciais cabíveis. Existem teses e jurisprudências sólidas que entendem ser indissociável ao tratamento do câncer as drogas e terapias necessárias para o alcance de sua cura. Sendo assim, uma vez que o plano cobre o tratamento de determinada patologia, deverá fornecer todo o aparato para o devido tratamento de tal patologia.

No âmbito do SUS, vários são os medicamentos dispensados para o tratamento do diversos tipos de cânceres. A primeira orientação é a contatação da Secretaria Municipal ou Estadual de Saúde para a verificação se o medicamento é dispensado pelas vias administrativas. Caso negativo, a segunda orientação é a realização de pedido formal e escrito endereçado às Secretarias de Saúde acima descritas, com a prescrição do médico e se possível estudos que demonstrem a eficácia do medicamento para o tratamento proposto. Caso haja demora na apreciação do pedido ou haja resposta negativa, caberá ao paciente procurar um advogado ou a Defensoria Pública, nos casos de impossibilidade financeira para a contratação do profissional, para que o pedido seja realizado pelas vias judiciais, e entendendo o poder judiciário pela concessão do medicamento, possa o paciente dar prosseguimento ao seu tratamento.

Espero que possa ajudar e que tenham gostado! Mil obrigadas pela participação, Cássia! :)

Eu, o INSS e o chefe do Sr. Incrível

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Na época em que descobri o carcinoma papilífero, tinha duas possibilidades: receber o seguro desemprego ou o auxílio-doença. A primeira opção era mais cômoda, afinal, é um direito garantido e relativamente livre de burocracias. Conseguir o auxílio-doença daria mais trabalho, pois é preciso agendar horário, ir até um posto da Previdência Social, passar pela perícia e apresentar uma série de exames e um relatório médico. Quando a pessoa tem a “sorte” de estar desempregada e doente ao mesmo tempo, pode optar pelo benefício mais vantajoso e, no meu caso, era o segundo.

[em busca de mais informações sobre o auxílio-doença? Clique AQUI]

Reuni os documentos necessários e rumei para a agência que fica em Brotas. Vesti o meu melhor sorriso e usei todo o meu repertório da boa educação (“bom dia, tudo bem?”, “por favor”, “com licença”, “desculpe incomodar”) para ver se angariava a simpatia da galera, mas não teve jeito. A cada informação solicitada ou todas as vezes em que precisei lidar com alguém, tinha uma resposta burocrática/ríspida do outro lado.

[Pausa para reflexão] Você já esteve em uma agência da Previdência Social? Eu nunca tinha sequer passado pela calçada e me espantei com o que vi. Não vou me alongar falando da falta de cortesia da maioria dos funcionários e do sucateamento da estrutura. O que chamou mesmo a atenção foi ver idosos e pessoas com sérias dificuldades de locomoção tendo o mesmo atendimento que eu – que consigo andar e falar de maneira independente. Não tem uma fila de prioridade nem nada. É por ordem de chegada e todo mundo no mesmo balaio. [fim]

Passei por três perícias médicas em pouco mais de dois meses. Na primeira e na última, os peritos mal olharam pra mim. Deve existir alguma coisa no ar que faz com que as pessoas evitem o contato visual a todo custo.

E onde entra o chefe do Sr. Incrível nessa história?

No filme, Gilbert Huph é o diretor da seguradora onde o Sr. Incrível trabalha. O herói da história, ainda contaminado pelo desejo de fazer o bem, encontra brechas para conceder os benefícios para as pessoas e isso tira a felicidade do pequeno antagonista. Para ele, o importante é “ajudar o NOSSO pessoal” e o resto que se dane.

Por lá, vi um monte de Gilbert Huphs. Todos em busca de uma brecha para não conceder o benefício que, diga-se de passagem, é um direito meu. O que ouvi da perita na minha 2ª ida ao INSS foi que a doença existia (cêjura?), mas não era incapacitante. De fato, não é. Posso andar, falar e realizar a maioria das atividades normalmente, mas dá pra esconder a condição de um possível contratante? Não. E quem contrataria alguém que vai passar 15 dias afastada para a recuperação de uma cirurgia e talvez passe mais 30 com hipotireoidismo (e seus efeitos) 10 em isolamento? Rai ai…

Para fechar a história: finalmente me concederam o auxílio-doença. Também, né? Não tinha como ser diferente. Como dizer “não” para uma pessoa que foi operada há cinco dias e ainda está com os pontos no pescoço?

Por essas e outras é bom estar bem informado. Para isso, contarei com a ajuda da Cássia Montouto no próximo post. Ela é Assessora Jurídica do Instituto Oncoguia e editora do site Direito à Saúde.

Chegou o dia!

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Eitchaaaaaaan! Chegou o dia!

E só agora me dei conta de que não tem nenhum post mais elaborado sobre o tratamento do carcinoma papilífero. Que zebra!

Já que muitas pessoas vieram me perguntar sobre o assunto e ninguém tem a obrigação de sair pesquisando por aí, vamos ao bê-a-bá do que vai acontecer comigo hoje e daqui pra frente. ;)

Não tem pra onde correr. O tratamento é cirúrgico e, normalmente, retira toda a tireoide, mesmo se o nódulo só ocupar um lado da glândula (meu caso).

Motivo: “Até um terço dos cânceres bem diferenciados de tireoide recidivam e retornam principalmente em gânglios (linfonodos) cervicais. Podem passar até 20 anos para o câncer de tireoide reaparecer, por isso é necessário seu seguimento a longo prazo. Este seguimento envolve o exame físico cervical e exames laboratoriais como tireoglobulina (marcador tumoral), TSH, ultra-sonografia cervical, cintilografia de corpo inteiro, raio X e ressonância magnética.” Fonte: Hospital de Câncer de Barretos

Ou seja: vai facilitar pra quê, né? Se ~ele~ já pode voltar, imagine com um restinho de tireóide dando sopa pela área? 

A glândula retirada é encaminhada para a biópsia, que vai confirmar (ou não) o diagnóstico da punção. Se por uma intervenção divina o tumor for benigno e o tecido não apresentar nenhuma característica de malignidade, é o fim da linha para a(o) paciente, que passa a tomar os hormônios que antes eram produzidos pela tireoide e realiza o acompanhamento periodicamente. Do contrário, existe o tratamento complementar exclusivo para quem tem este tipo de câncer: a iodoterapia.

Sobre isso, segue um trecho retirado do ótimo blog radiotativos131. Para quem quiser se aprofundar no assunto, recomendo a leitura da postagem completa sobre o tratamento. Por enquanto, lá vai um resumo:

“Iodoterapia é um tratamento feito à base do iodo radioativo, chamado Iodo131. Cerca de um mês depois de retirar o câncer de tireoide por meio de cirurgia, o paciente vai para um hospital onde ingere uma dose de iodo radioativo via oral, por meio de um canudinho. (O líquido é transparente e não tem gosto).

Em seguida, ele fica em um quarto durante até três dias, e não pode receber visitas porque seu corpo emitirá radiação neste período. O objetivo do tratamento é eliminar qualquer resíduo de tumor de tireóide que possa existir no corpo.

O paciente deve evitar contato físico com outras pessoas durante a internação e durante mais alguns dias depois de voltar para casa. Seus talheres, copos, toalhas devem ser separados das outras pessoas durante cerca de uma semana após a alta. Depois de pouco tempo, toda a radioatividade é eliminada do corpo e a pessoa volta às suas atividades normais. Fonte: radiotativos131

Na época de preparação para a iodoterapia, é preciso adotar uma dieta bem rígida, que proíbe desde sal comum (para temperar a comida, é recomendado um sal especial, sem iodo), até frutos do mar, peixes de água salgada, gema de ovo, laticínios, qualquer coisa com corante vermelho, embutidos e por aí vai. Depois dessa etapa, é só ficar acompanhando e fazendo a reposição hormonal diária.

Agora o lado estético: após a cirurgia, é preciso proteger a área dos raios solares e, segundo li no blog Crônicas do Cotidiano, também das luzes fluorescentes. Quando tiver a consulta com a dermatologista, farei essa pergunta. No mais, protetor solar, gola alta e lenços no pescoço na primavera soteropolitana. Que beleza! SÓ QUE MUITO NÃO.

É isso aí. Tô indo começar a caminhada pra valer. Até a volta! ;)
beijo

Finalizando o pré-operatório

Desta vez serei rápida e objetiva para ir direto ao ponto que pode interessar a alguém: meus últimos passos antes da retirada total da tireoide.

Após dar entrada no pedido de autorização da tireoidectomia, segui as instruções do Dr. Augusto e fui em busca de um(a) pneumologista. Tenho asma e há uns bons anos estava com a medicação desatualizada e me entupindo de Berotec, que causa taquicardia, tremedeira e não previne as crises, só apaga o incêndio.

Tem asma, mesmo que controlada, e vai fazer cirurgia? Visite o pneumologista!

Era necessária a avaliação de um especialista. Aliás, não apenas a avaliação, mas um relatório médico do “ponto de vista pulmonar” e uma autorização para o procedimento . O motivo de tanta preocupação? Vou responder com um trecho que retirei do site Asma Brônquica:

“[…] No paciente asmático não é diferente, e apesar dos avanços no seu tratamento permitirem a administração segura de qualquer um dos tipos anestesia, a asma influencia a morbidade e mortalidade operatórias, estando os pacientes com asma brônquica malcontrolada mais propensos a complicações pulmonares no pós-operatório.”

Ou seja: quem tem **, tem medo! =O

Ou seja 2: Negligenciar esse aspecto merece um selo. Não faça isso!

ehcilada

Para não cair numa cilada (Bino..dãaa), encontrei uma ótima pneumologista, a Dra. Manoela Trindade Fontes. Ela solicitou uma espirometria e me fez algumas recomendações que não vou falar pq não quero ninguém se automedicando por aí. ;)

Em seguida, foi a vez de fazer a “entrevista” e tirar dúvidas com o anestesista. Pro post não ficar imenso, recomendo aos interessados a leitura desta matéria (cliquem AQUI), que traz as respostas para as 10 dúvidas mais comuns sobre anestesia geral.

E hoje, dia 13, fui ao consultório do Dr. Augusto Mendes mais uma vez para pegar as recomendações necessárias e liquidar todas as minhas inquietações (“vai fazer esvaziamento cervical?”, “o que fazer com minha cicatrização hipertrófica?”, “posso ir pra balada no sábado?”). O procedimento está marcado para o dia 15, às 15h, e são necessárias 12 horas de jejum. Além disso, só posso beber água (leite nem pensar!) até 09h da manhã de quinta-feira. Vai ser difícil segurar a larica…

Médicos em Salvador e o Selo Savana de Qualidade

medica

Quantas vezes você já trocou de médico pelos mais diversos motivos? Vou listar alguns: o “santo não bate”, o atendimento atrasa, a agenda é apertada, ele(a) não dá a devida importância aos seus sintomas, não passa segurança…

Longe de mim querer tacar pedras na galere, mas a questão é que as consultas, cada vez mais, se assemelham a 10 minutos de interrogatório, finalizado com um sonoro barulho de carimbo na prescrição e o quase audível chamado do “próooximooo”. Burocrático demais, humano de menos. É difícil encontrar um profissional que tire os olhos do computador/teclado e passe alguns minutos ouvindo e conversando com o paciente.

Aos que estão do outro lado da mesa, resta a peregrinação – e uma boa dose de sorte – na hora de montar a própria “equipe”. No geral, tenho me saído bem na missão e trago aqui algumas indicações de médicos em Salvador que carregam o Selo Savana de Qualidade.

Selo Savana de Qualidade

Ainda não fiz a cirurgia, portanto, talvez a lista seja atualizada. Por enquanto, recomendo os seguintes (ao clicar no link, você será redirecionado para a minha opinião sobre cada serviço):

Ginecologista – Ana Maria Lago Bahiense – Gineprev
Endocrinologista – Patrícia Viterbo – Clínica Humana
Alergologista – Gabriela Castro – Alergodermo Clin
Pneumologista – Manoela Trindade Fontes – CEPS
Cirurgião de cabeça e pescoço – Dr. Augusto Mendes

[Bônus] – listinha de lugares onde fiz meus exames e aprovei o atendimento:
PAAF – Clínica AFAC – Álvaro Silva
Laboratórios – Labchecap; Laboratório Sabin
Diagnóstico por imagem – CAM – Clínica de Assistência à Mulher; Delfin Imagem
C
línica MM – Consultório do Dr. Augusto Mendes – (71) 3247-3436 – Ainda vou escrever uma opinião sobre. =)