Navegar (e falar da mãe) é preciso…

mae

Voltemos ao fatídico 13 de junho, quando abri o resultado da PAAF. Vamos relembrar o cenário: estava sozinha, dentro do carro, estacionada em uma rua com pouco movimento e lendo tudo o que podia sobre o tratamento do câncer de tireoide. Após me informar mais ou menos bem, decidi que era hora de dirigir de volta pra casa. Naquele momento, minha maior preocupação era “como é que vou contar isso pra minha mãe?”, afinal, mães estão acostumadas com os chororôs dos filhos, no entanto, quando a situação se inverte, torna-se extremamente desconfortável e doloroso para nós (para mim, pelo menos).

Foram dez quilômetros de ensaio. Até resolvi abastecer o carro (coisa que sempre “esqueço” de fazer) para adiar o momento e, quando ele chegou, não poderia ter sido mais ao contrário do que o planejado. A ideia era fazer ~a despojada~ e falar – sem chorar! – algo do tipo: “é, os planos vão ter que mudar um pouco”. Lê-ó-Lógico que não deu certo. E aí, qual a reação imediata de uma mãe que não tem conhecimento prévio da (cof, cof) neoplasia e acaba de saber que a filha tem câncer de tireoide?

a) Chorar
b) Chorar muito
c) Chorar mais que a filha
d) Shorar litrus e preparar uma água com açúcar

Bem, estamos falando de reações de mães comuns, mas a minha é fora do comum e não se enquadra em nenhuma das quatro alternativas. O que ela fez? Pegou o resultado do exame e foi correndo para o AmiGoogle, já dizendo que estava tudo bem sem nem ao menos ter lido o primeiro link e sem derramar uma lágrima. Só agora eu vejo a importância de ter uma fortaleza do outro lado, afinal, a pessoa já está preocupada e triste demais para consolar outras tantas. Só por isso já merece o Oscar das mães.

Toda mãe é uma mistura de diversas funções em uma só: vidente, conselheira, meteorologista, curandeira, alquimista e por aí vai com algumas variações… a minha também é filósofa, contadora, advogada, consultora de moda, personal shopper, agenda de compromissos, localizadora de objetos perdidos, encanadora e pesquisadora. Não consegui consulta imediata com a endocrinologista e fui dormir sem norte, sem saber qual seria meu próximo passo. Eis que na manhã seguinte, às 08h, lá estava ela, com uma lista de cirurgiões bem recomendados no Doctoralia. Sabe-se lá a que horas ela acordou (ou foi dormir) pra ter isso pronto assim que eu acordei.

E de lá para cá foram diversas horas no trânsito, em consultórios, laboratórios, hospitais, INSS e por aí vai. Esperar nunca é bom, mas pode ficar menos pior se vc tem alguém ao seu lado a todo momento, conversando, confabulando e até lhe fazendo rir ao julgar extrahard todas as pessoas que ousam cruzar o nosso caminho.

“Ah, ela está indo com você nas consultas? Não é mais que a obrigação de mãe”, vocês podem pensar. Não, não. O post não é sobre apenas acompanhar. É sobre estar junto e fazer uma pessoa de 27 anos se sentir o Dumbo:

dumbo

(Nota 01: esse GIF me dá vontade de chorar…   =~)
(Nota 02: vamos relevar que a mãe do Dumbo tá na prisão)

Não sou nada boa com textos poéticos. Não consigo pensar em frases bonitas e quase me considero uma idiota da objetividade.  Gostaria de encontrar uma forma mais apropriada de deixar registrada toda a minha admiração por ela, que é bem humorada logo de manhã, que “vai lá e faz”, que se doa, que se transforma em mil pra dar conta de tudo e que muitas vezes deixa de fazer o dela para ajudar os outros. Essas posturas são coisas que não têm preço (sem slogan de cartão aqui!) e que eu espero poder retribuir de alguma forma.

Muito orgulho de ser sua filha, Marcinha. Quero repetir a dose em outras vidas, se a gente tiver. ;)  Te amo! <3

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Tireoidectomia total marcada!

É, a palavra parece um trava-língua, mas é assim que se chama a retirada total da tireoide. Tive a terceira consulta com Dr. Augusto Mendes e ele, após fazer uma cara de “está tudo ok com seus exames”, começou a preencher a guia de solicitação do procedimento.

Eu por fora:

felizinha

Eu por dentro:

gifsamba

A data prevista: 15 de agosto, dois meses e dois dias após abrir o resultado da PAAF. Coincidência? Intervenção divina? Poeira cósmica? Nenhum dos três… só eu, que gosto de colocar as coisas em alguma perspectiva. :)

Aviso aos navegantes: se está com a guia em mãos e algum tempo de sobra, é recomendável ir até o hospital o mais rápido possível e dar entrada no processo de pré-internamento. Eu e minha mãe fomos ao Hospital Santo Amaro assim que saímos da clínica e foi a melhor coisa que fizemos, uma vez que o Bradesco Saúde (e os convênios em geral) levam de 5 a 8 dias úteis para autorizar a cirurgia. Depois disso, ainda é preciso agendar consulta com o anestesista e, se for o caso, fazer os pagamentos necessários. Ou seja: tem que correr contra o tempo. ;)

O Google como o melhor amigo (ou não)

google

Minha primeira atitude ao abrir o resultado da punção foi pesquisar no Google (via 3G, para dar um tempero na história e aumentar a angústia) o que era o tal carcinoma papilífero. A princípio, pularam vários links com o título “Saiba tudo sobre o câncer de tireóide” e eu já pensei em encomendar caixão e vela. Lógico que mudei de ideia minutos depois, após ler em dois ou três sites que eu tinha a “melhor” opção a se ter nesse caso.

Passei dois dias lendo tudo o que encontrava pela internet e foi graças a essas informações que pude ter a tranquilidade necessária para expor a situação e falar sobre o assunto sem deixar escorrer dois rios São Francisco pelo rosto. Tudo muito lindo até aí.

SÓ QUE tem o lado ruim. No início do mês, estive na Delfin do Hospital São Rafael para realizar o último dos exames pré-operatórios. O resultado saiu cerca de uma hora depois e acusou um linfonodo aumentado e suspeito. O que fazer? Google neles! E lá vieram mais e mais estudos e relatos sobre esvaziamento cervical e metástase.

Minha reação:

gobackinmommy

Depois de respirar fundo umas 40 vezes e de perguntar se alguém do grupo facebookiano Amigas da Tireóide (aliás, um ótimo espaço para troca de informações) tinha tido algo parecido, achei melhor esperar a visita ao cirurgião. Na consulta, deixei pra entregar esse exame por último e fiquei prestando atenção nas feições dele em busca de alguma denúncia. Anos e anos brincando de detetive me deixaram com um talento nato para analisar caretas. De fato. A expressão ficou mais séria e ele pediu que refizesse o exame com uma especialista de sua preferência. Mais espera, mais dúvidas, mais agonia.

Hoje (15/07) passei o dia na Delfin do Itaigara. Cheguei um pouco depois das 06h30 e só consegui uma senha para o turno da tarde. Retornei à clínica por volta das 13h45 e saí de lá por volta de 18h40, ou seja: perdi o dia. A sorte foi ter encontrado outras duas mulheres com o mesmo caso, pq aí ficamos batendo papo e trocando experiências.

Pra encurtar a conversa: o exame de hoje tirou a dúvida e os linfonodos são do bem. Nada de metástase, nada de esvaziamento cervical. Uhuu! : )

Lição da semana: use o Google com parcimônia.

Um mês de descoberta(s)

Há exatos 30 dias descobri o câncer de tireóide.

O tempo realmente é relativo. Já fiz tantas coisas que a sensação é de que passaram-se 3 ou 4 meses. Estive em quatro consultas com três médicos diferentes, perdi uma infinidade de horas na espera dos consultórios e da agência da Previdência Social (essa experiência merece um post exclusivo), visitei centenas de sites e troquei informações com um monte de pessoas. Ainda assim, a sensação é de correr-correr-correr e não sair do lugar.

Bem desse jeito...

Bem desse jeito…

Mas hoje não é dia de lamentação. A Clara Corrêa, do blog Simplificando, passou por uma experiência parecida e enviou o link de um texto maravilhoso escrito por ela. A vontade é colar aqui na íntegra, no entanto, recomendo que visitem o blog para ler o relato completo (aqui). Aproveitem para passear pelos outros posts super interessantes (destaque para a série Desafio do Fim do Mundo). ;)

Chega da falatório. Corta para a mensagem da semana vida:

“(…) Só agora eu consigo ver com uma clareza absurda que certas coisinhas são só coisinhas, e que não tem absolutamente nenhum sentido se prender a isso como se fosse algo importante. O importante é ter saúde, ter família, ter amigos e ter amor. Quem tem isso não precisa de mais nada.

Sim, estou com medo e tenho que me controlar diariamente para não pensar no “e se…”. Mas medo não é problema. Medo faz parte do jogo. O negócio é ganhar dele. E quando isso acontece, você fica mais forte e vê que seus limites estão muito além do que você imaginava, como em uma corrida de aventura ainda mais real. Não é isso que determina seu nível de felicidade. São aquelas pessoas de quem eu falei lá em cima que ditam isso. E se for assim, meus amigos, eu posso assegurar que sou a pessoa mais feliz do mundo!

Resumindo, sabe aquela coisa de “um empurrão faz você ir pra frente”? É por aí. Levei um empurrão, e to catando ficha até agora, mas to sentindo que quando as coisas voltarem ao normal estarei metros à frente de onde estava antes desse vendaval. E espero profundamente poder retribuir todo esse amor, que jamais imaginei receber com tanta intensidade e de tanta gente, da forma mais sincera e verdadeira possível.

E espero também que você, que está lendo isso agora, nunca precise receber um empurrão desses para descobrir essas coisas. Em vez disso, aproveite. Mas não é pra aproveitar amanhã. É hoje, é agora, é a todo o momento. Esqueça as pequenas apurrinhações, elas são pequenas! Pare de tentar controlar tudo. Coloque na cabeça que você não controla nada, nem a sua vida, quanto mais a dos outros! Let it be!”.

Segunda consulta – como foi?

Palavras não são suficientes para definir meus sentimentos após a 2ª consulta com o cirurgião, por isso, me inspirei totalmente no tumblr Como eu me sinto quando…

Chego na clínica às 08h30, com consulta marcada para 08h40 e escuto: “ele ligou avisando que vai se atrasar”:

Ah..ok!

 

 

 

 

 

 

 

Duas horas e meia depois:

zzzzz

O cirurgião pede mais um exame para investigar os linfonodos – medinho:

chuinf

Ligo para marcar o tal exame e só tem vaga para o final de agosto:

whaaat?

Posso conseguir ser atendida como extra, se chegar na Delfin às 06h30 da segunda-feira:

ehneh

*apesar de atrasado – culpa das manifestações que infestaram a cidade, pq ele sempre é muito pontual -, Dr. Augusto olhou meus exames com a mesma atenção que teve durante a primeira consulta e, se ele resolveu pedir novas ultrassonografias e investigar melhor, significa que é cauteloso, né. Ainda assim, é muito agoniante esperar mais de 15 dias pra marcar (“marcar”… e não fazer) a cirurgia e ficar logo livre disso. =(

Outros relatos – Daniela Freitas

Oiê! : )

Como falei no último post, dividir a questão trouxe à tona um montão de histórias de pessoas que já passaram pelo mesmo que eu. Há quem tenha enfrentado o câncer de tireóide há 25 anos, 10 anos, 02 anos, 01 ano. A minha caminhada mal começou, então achei interessante trazer os relatos daqueles que já passaram de fase e hoje estão bem.

Nossa primeira convidada é a Daniela Freitas. Ela é baiana, tem 26 anos e… e… bem, vamos deixar as apresentações e tudo mais com ela, né?    : )

guestpost

Olá. Chamo-me Daniela Freitas, sou baiana, engenheira eletricista e hoje estou com 26 anos. Fui convidada a contar um pouco a minha história e de como foi ter carcinoma papilífero aos 15 anos. Desde aquela época vivo em guerra com a balança, e foi por essa causa que minha mãe marcou uma consulta para mim com uma endocrinologista amiga da família (Dra. Patrícia Bacelar Viterbo, meu anjo até hoje). Consulta de rotina. Porém, enquanto ela estava examinando meu pescoço, detectou que alguma coisa estava errada. Depois de exames laboratoriais e ultrassom da tireoide, fui diagnosticada com hipertireoidismo (uma ironia, já que esse tipo de anomalia tem como sintoma perda de peso, e não ganho) e nódulo na tireoide. Como meu pai teve problema parecido, benigno, elegemos como causa fatores genéticos.

 Diagnosticado o nódulo (não lembro as dimensões), fui encaminhada para punção. O diagnóstico foi de nódulo benigno. Mesmo assim, minha médica indicou cirurgia para retirada do nódulo e de 70% da tireóide. Indicou também que procurasse o Dr. Jorge Bastos. Ele não era cirurgião de cabeça e pescoço, e sim cirurgião geral, e trabalhava com transplante de fígado e rins, porém tinha sido professor da minha médica e ela confiava nele. Como o plano cobria, nem procuramos outra opção.

 Fiz a cirurgia em março de 2002, no hospital Aliança, aqui em Salvador. A cirurgia transcorreu bem. Os inconvenientes eram evitar falar, como medida preventiva para proteger as cordas vocais, e o pós operatório. Como qualquer cirurgia, tive que ter alguns cuidados, como proteger para não abrir os pontos e ter uma higiene especial no local. Lembro que passei um tempo usando uma espuma triangular para dormir, pois ficava com medo de abrir os pontos a noite. A biópsia, que é feita no momento da cirurgia, continuou dando resultado benigno.

 Uma semana depois, retornei ao consultório do cirurgião para retirar os pontos e para levar o resultado da biópsia que tinha sido feita no restante do material que havia sido retirado. Não sei quem ficou mais sem chão, minha mãe ou o médico, ao verem que o resultado apontava de presença de material maligno nessa última biópsia. O meu nódulo de fato tinha sido benigno. Porém, havia uma formação maligna de menos de um centímetro escondida atrás desse nódulo. E a questão naquele momento era que ainda restavam 30% de tireoide no meu corpo, que deveriam ser retirados o quanto antes. Já sai do consultório com nova cirurgia marcada, não lembro bem se para o próximo dia ou o seguinte.

 Nessa noite minha mãe não dormiu, chorando. Porém, tentou o máximo que pôde se fazer de forte na minha frente. Eu, que na época era muito engajada no movimento espírita, estava (e estive ao longo de todo o processo) muito tranquila. Já tinha pesquisado e sabia que as chances de cura eram muito grandes. Além disso, se eu viesse a morrer, contrariando as estatísticas, não seriam um fim, e sim um novo começo. Sendo assim, era eu quem acalmava as pessoas e afirmava “vai dar tudo certo, sim”, e não o contrário. E eu só tinha 15 anos.

 Feita a segunda cirurgia, passei a parte complementar do tratamento. Tive que fazer iodoterapia para eliminar qualquer vestígio de célula cancerígena que pudesse ainda existir no meu corpo. Esse tratamento exige uma infraestrutura especial, pois usa material radioativo, e naquela época, em Salvador, apenas o Hospital Aristides Maltez – HAM estava apto a fazê-lo. O Hospital Português ainda estava construindo a unidade de iodoterapia, ou tinha construído a pouco tempo e ainda não aceitava o meu plano, não lembro ao certo. Porém, existia uma fila grande para conseguir vaga no HAM e, além disso, estávamos bastante resistentes em fazer um tratamento por lá devido a atmosfera hostil do local. Meu tratamento tinha sido muito tranquilo até então, e não queríamos entrar naquela vibe (quem conhece o HAM sabe do que estou falando).

Sendo assim, o como o meu plano tinha cobertura nacional, resolvemos fazer o tratamento em Brasília, no hospital onde uma prima minha era enfermeira chefe.

Entre a retirada da tireoide e a iodoterapia não se faz reposição hormonal. Com a tireoidectomia, mesmo quem tinha hipertireoidismo passa a ter hipotireoidismo. E sem a reposição todos os sintomas se manifestam. Nesse período fiquei muito prostrada. Dormia quase o dia todo. E lembro que até meu ciclo menstrual ficou confuso.

 Fiz a iodoterapia em junho de 2002, em plena copa do mundo de futebol. O procedimento foi muito simples. Foi nada mais, nada menos, que tomar poucos mililitros de um líquido transparente e sem gosto (iodo 131 – radioativo), e aguardar até que o nível de radiação no corpo decaia a níveis em que se possa conviver com outras pessoas sem atingi-las. Dessa forma, passei alguns dias em regime de isolamento. Fui colocada em um quarto especial, construído com paredes reforçadas, e não podia receber visitas, e nem mesmo ter contato com o corpo técnico do hospital. Depois do período no hospital, passei por mais 7 dias de “semi-isolamento”. Ou seja, pude sair de lá, mas as pessoas só podiam chegar a uma distância de 2 metros de mim. Depois disso, a vida voltou ao normal. Não pude assistir o Brasil ganhar o penta junto com minha família, porém, por outro lado, pude ir com eles ver o desfile da seleção na capital federal, já com a taça em mãos.

 Finalizado o tratamento, estava curada do câncer. Porém, já não tinha mais tireoide, uma glândula que quase não se ouve falar até se ter algum problema, mas que tem uma importância enorme para o funcionamento do organismo. Passei, então, a fazer reposição hormonal com Levoritoxina Sódica. Levaram-se alguns meses até que a minha endocrinologista conseguisse ajustar o nível certo de hormônio para mim. Essa dosagem é feita com base especialmente nos níveis de outros dois hormônios, o T4 e o TSH.

Nos 5 anos que se seguiram continuei fazendo anualmente um exame chamado cintilografia, que, usando contraste, rastreia vestígios da presença de células tireoidianas no organismo. É um exame que monitora uma possível metástase, que é muito improvável ocorrer no caso de câncer de tireóide. Depois disso, passei a me considerar definitivamente curada.

Aprendi que é muito importante fazer o acompanhamento frequente dos meus níveis hormonais, pois ficar com níveis incorretos pode trazer sintomas dos mais diversos, que vão da queda de cabelo a depressão. E uma alteração de peso, por exemplo, pode alterar as taxas hormonais. Por isso, retorno a cada 6 meses ao consultório da minha médica para verificar se está tudo “ok”.

A cura pela energia positiva

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Não tenho religião definida e alterno entre a crença e a descrença na vida após a morte, reencarnação e afins (mas tenho medo de aparições de espíritos. Vai entender!). Pesco um pouco de cada coisa e vou vivendo, acreditando que não devo fazer o mal e nem desejar o mal de ninguém, sob pena de receber tudo de volta, triplicado, num dia de chuva. Também procuro ter pensamento e atitudes positivas, mesmo que de vez em quando:

a) soe meio idiota
b) meu humor não colabore
c) todas as anteriores
d) N.D.A

Fiz essa introdução para chegar à pergunta que mais ouvi/li de amigos e conhecidos ao longo das semanas: “vc acredita em (insira aqui o nome de qualquer ritual ou prática)?”. E a resposta, repito: não tenho religião, mas acredito em tudo que possa trazer coisas boas. “Tudo que vier eu topo. Tudo que vier, vem bem”, já diziam Kleiton e Kledir. ♪♫

Espalhar o segredo trouxe um resultado mega-positivo. Em primeiro lugar, tirou um peso estranho e inexplicável que eu vinha sentindo. Em segundo lugar, foi ótimo receber mensagens de apoio (e de gente que eu nem esperava). Pode parecer besteira, mas ajuda muito! E o terceiro e talvez mais importante motivo: a boa vontade das pessoas.

Minha mãe comprou florais de Bach. Não vou citar todos os nomes, pois alguns podem não gostar, mas me foram sugeridos: cura à distância com Reiki, visitas a um centro espírita e messiânico, consulta com astróloga e tratamentos com aloe vera. Também ouvi muitas histórias do tipo “tenho uma amiga/conheço uma pessoa que teve* e hoje está bem” ou “tive tal coisa e sei como vc se sente”. É muita gente querendo ajudar e muitas vibrações positivas que acabam levando a gente lá pra cima (em cima, em cima, em cima… já dizia o Naldo. Ai, como eu tô musical! ♪♫ )! E é assim que tem que ser, né?

*Até então, me sentia “injustiçada”. Na academia, por duas vezes me peguei pensando coisas do tipo “seu idiota, vc está aí, fazendo quatro séries e usando esse aparelho para produzir músculos. Não é justo! Sai daí logo e me deixe fazer as minhas duas pq EU PRECISO estar com o corpo preparado” ou “você sabia que existem coisas mais importantes que malhar o bíceps? Vaza daí que EU PRECISO usar!”. Mas esse pensamento, além de ser um auto-sabotador, não era verdadeiro, uma vez que me sinto absolutamente normal. Se vitimizar é a pior coisa: dá espaço pro baixo astral se instalar e aí a doença toma conta mesmo. 

Lição para a vida: pare de pensar besteiras do tipo “não quero que as pessoas sintam pena de mim”. Se sentirem, vc não vai saber, mesmo… Eu já pensei assim e vi que o fardo fica muuito mais pesado. Se não for exposição demais para o seu coraçãozinho, divida a história com as pessoas. Ela pode ajudar ou inspirar alguém. : )