Pra descontrair – ;)

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Pra descontrair - ;)

“a vida não é sobre esperar a tempestade passar, é sobre aprender a dançar na chuva”.

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Sobre a relatividade do tempo e os sinais

Uma semana de férias = 72 horas
Uma semana de espera = 54969168216 dias

Pois é. Passava o São João, a Copa das Confederações, chegava o nasce-o-sol-ao-Dois-de-Julho, mas não o dia da consulta com o segundo cirurgião. Pelo visto, uma das várias lições que devo aprender com tudo isso é: “sossega!”. Sinceridade? É como pedir calma para uma pessoa histérica e ter como resposta um sonoro: “MAS EU ESTOU CALMA!”.

"Keep Calm" é o caralho!

Tic-tac-tic-tac.

A ansiedade era tanta que até sonhei. Na ocasião, o médico olhava os exames e dizia “antes de fazer a cirurgia, você deve fazer mais exercícios e a gente fica acompanhando pra ver se some”. Até o sonho trazia a espera nas entrelinhas. Ou talvez não. Na verdade, acabo vendo sinais em quase tudo e imagino que deva ser assim com qualquer pessoa que esteja em um momento decisivo ou marcante da vida.

Bom, chega de divagação, né? Vamos ao que interessa!

Dr. Augusto Mendes foi recomendado por três pessoas diferentes: uma vizinha, a endocrinologista e uma amiga cuja irmã passou pelas mãos dele em um caso semelhante ao meu. Munida destes depoimentos favoráveis, cheguei ao consultório com muitas expectativas. Ele passou segurança e olhou meus exames com calma. Até que: tcharãaaaan! Também não opera pelo Bradesco Saúde Enfermaria. De toda forma, indicou uma especialista da equipe dele que realiza o procedimento e ficou acertado que seria assim. 

Voltei para a sala de espera, pois faria uma laringoscopia assim que ele terminasse de atender aos pacientes que restavam na clínica. Quando voltei do exame, minha mãe tinha conversado com a secretária, Maria, sobre quais as possibilidades de operar com ele e juntas encontraram uma solução.

Apesar disso, em um primeiro momento, a ideia era seguir para a terceira consulta com um especialista. Passou-se um dia e meio e aí entram, mais uma vez, os benditos sinais que a gente começa a perceber. Acordei de uma preguiçosa soneca da tarde e, por ter sentido segurança nele, que seja com ele.

 "Estou tendo aquele sentimento estranho novamente"


“Estou tendo aquele sentimento estranho novamente”

A rouquidão temporária ou permanente é um dos riscos da cirurgia e o meu maior medo (atual). Já que o médico veio tão bem recomendado e me passou segurança, que seja com ele. Fim do capítulo: nova consulta com Dr. Augusto em 09 de julho. Levarei os exames que estou fazendo e provavelmente será marcado o dia de entrar na faca. Eba! =)

Frustração e um pouco de esperteza

Durante o fim de semana, revirei a internet em busca de maiores informações sobre o tratamento do tal carcinoma papilífero. O que encontrei: muitos relatos de pessoas que só vieram a descobrir a malignidade do tumor após a cirurgia. Ou seja: detectaram o corpo estranho, marcaram a cirurgia e pronto. O problema maior só foi descoberto quando a pessoa já estava livre dele. Saber que meu caso era diferente e que eu ainda trazia o treco dentro de mim me deixou cheia de perguntas e com uma semi-raiva direcionada aos médicos que não me encaminharam logo para a cirurgia, assim como tinha acontecido com outras tantas.

Bom, passada esta etapa, começou a inquietação. Por mim, operaria na segunda-feira! E foi com este sentimento de “já pode ser na semana que vem?” que fui à consulta com um cirurgião de cabeça e pescoço, no Hospital São Rafael.

Pra encurtar o caminho: ele nos passou informações gerais acerca de duas cirurgias: a normal e a minimamente invasiva. Qualquer pessoa opta pela segunda opção, né? Mas essa só é feita de forma particular, a um custo de R$ 4.000. “Ok, ok… então vamos ficar com a primeira opção”, pensamos eu e minha mãe. O X da questão: ele não opera pelo procedimento dito “normal” em planos da categoria enfermaria. ¬¬”

Ou seja: mesmo sabendo que meu plano não dava cobertura ao procedimento naquele hospital, a consulta foi mantida (e paga pelo convênio!). Além disso, perdemos tempo e gasolina nos deslocando até o São Rafael. =(

Tô de olho!

Tô de olho!

O próximo passo: outra consulta, com outro cirurgião, agendada para o dia 25. Vamos ver no que vai dar…

PAAF de tireóide – O primeiro terror (?)

Oiê!

De imediato, sim. Saber que precisariam colocar uma agulha no meu pescoço me deixou bastante apreensiva. A endocrinologista fez algumas indicações de especialistas, mas optei por seguir a de minha mãe, que já tinha passado por um procedimento semelhante e tinha ficado satisfeita com o tratamento recebido.

Liguei para a AFAC, no Canela, e agendei o procedimento com o Dr. Álvaro Silva (guarde bem esse nome! Espero que você nunca precise, mas se for o caso…). No dia marcado, cheguei com antecedência e fiquei aguardando a minha vez. Durante esse período de espera, dá medo, a pessoa fica tensa, pensa em fugir para as colinas, mas no fim de tudo é chamada e “obrigada” a entrar na sala da consulta.  Por ser a última paciente e do dia, imaginei que encontraria um profissional doido pra ir embora e meio carrancudo, mas ele foi super simpático e me fez rir consideravelmente antes da agulhada. Ele tem mãos abençoadas, pois não senti muita dor e o desconforto foi o mínimo possível – e isso pq não tive anestesia!

Na hora, a dor é comparável com a de um exame de sangue. O que incomoda mesmo é a movimentação da agulha, pois é preciso aspirar várias partes do nódulo para ter maior precisão no diagnóstico. O procedimento completo não levou nem cinco minutos e no final ganhei um curativo decorativo.

A foto está péssima, mas a intenção foi boa

No mesmo dia e no dia seguinte, senti a área um pouco dolorida, tanto por fora, quanto por dentro, como se tivesse com a garganta prestes a inflamar. Fora isso, tudo normal.

Nota: o atendimento na AFAC é realmente demorado: a punção estava marcada para 17h e só fui ser atendida após às 18h, quando já não tinha mais ninguém na sala de espera, mas acredito que valeu a pena. Nada como passar de boas por essa! : )

Recomendo: AFAC – PAAF de tireóide em Salvador

Carcinoma Papilífero: silencioso e assintomático (ou não!)

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Os cientistas e pesquisadores ainda não encontraram muitos fatores que levam ao surgimento do câncer de tireóide. Normalmente, tem fundo genético ou dá o ar da graça em pessoas que foram expostas à radiação (e isso não inclui aquelas radiografias que vc tirou pro dentista, fique calma(o)!). Apesar de – até então – não estar ligado a maus hábitos, como excesso de bebidas alcóolicas, sedentarismo ou tabagismo, tem sido diagnosticado cada vez mais em mulheres entre os 30 e 60 anos.

Quando existem, os principais sintomas são:

  • Nódulo, caroço ou inchaço no pescoço, às vezes crescendo rapidamente.
  • Dor na parte anterior do pescoço, às vezes, subindo para a região dos ouvidos.
  • Rouquidão ou outras alterações na voz que não desaparecem.
  • Dificuldade para engolir.
  • Problemas respiratórios.
  • Tosse constante

Fonte: Oncoguia

Quais desses sintomas eu tive? Nenhum.

E se não fosse por uma visita de rotina à ginecologista, poderia passar uns cinco anos com a doença evoluindo dentro de mim. Tudo começou com um exame preventivo de rotina. Conversa vai, conversa vem e, por ser uma nova paciente, a Dra. Ana Maria Lago Bahiense resolveu aproveitar a deixa para perguntar há quanto tempo eu não fazia um check-up. “Muito tempo!”, respondi. Diante disso,  ela prescreveu um monte de exames que, aos olhos leigos, não têm nenhuma relação com a especialidade dela, como ultrassom de abdômen total, da bendita tireóide e diversos exames de laboratório (mais de 40, no meu caso). E foi assim, graças a uma ginecologista fora do comum, que descobri o problema. Lição do dia? Nunca pense que é exagero e faça todos os exames que seu médico pedir.

Recomendo:
Dra. Ana Maria Lago Bahiense – Ginecologista
Labchecap – Exames laboratoriais
CAM – Clínica de Atendimento à Mulher – Ultrassom

A descoberta – Parte II

Quando recebi meus primeiros exames e me deparei com o nódulo na tireóide, fiz o que todo mundo faz: pesquisei no Google. Li que em 90% dos casos os nódulos são benignos e só exigem acompanhamento mais próximo. Otimista (como sempre), acreditei que estaria entre estes e parei minhas leituras por aí.

Era o fim de uma manhã de quinta-feira quando peguei o resultado da punção aspirativa por agulha fina (PAAF), conhecida por ser melhor maneira de determinar o tipo de nódulo. Por  imaginar que não teria maiores complicações, fui sozinha e sozinha estava quando abri o envelope e li:

Blá blá blá blá blá blá linguagem médica que não entendo blá blá blá blá blá… Compatível com Carcinoma Papilífero (categoria VI da Classificação de Bethesda). 

Xiiii!

Não é preciso ser muito esperto pra saber que a palavra “carcinoma” não pode ser coisa boa, né? Na hora, senti uma onda de choque que foi do cabelo ao dedo mindinho do pé, mas me mantive calma e pesquisei no celular (um beijo para a internet móvel). O que li:

Tipos de Câncer de Tireoide

Carcinoma papilífero  (o “meu”) – É o tipo mais comum. Pode aparecer em pacientes de qualquer idade, porém predomina entre os 30 e 50 anos. Devido à longa expectativa de vida, estima-se que uma entre mil pessoas tem ou teve este tipo de câncer. A taxa de cura é muito alta, chegando a se aproximar de 100%.

Carcinoma folicular – Tende a ocorrer em pacientes com mais de 40 anos. É considerado mais agressivo do que o papilifero. Em dois terços dos casos, não tem tendência à disseminação. Um tipo de carcinoma folicular mais agressivo é o Hurthle, que atinge pessoas com mais de 60 anos.

Carcinoma medular – Afeta as células parafoliculares, responsáveis pela produção da calcitonia, hormônio que contribui na regulação do nível sanguíneo de cálcio. Esse tipo de câncer costuma se apresentar de moderadamente a muito agressivo, sendo de difícil tratamento.

Carcinoma anaplásico ou inmedular – É muito raro. Porém é o tipo mais agressivo e tem o tratamento mais difícil, sendo responsável por dois terços dos óbitos de câncer da tireoide.

Fonte: SBEM – Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

Ou seja: apesar de já ter uma poça de lágrimas no meu colo, eu tinha que comemorar! Dentro do possível, estava numa situação “confortável” perto do que poderia ser e isso me tranquilizou o suficiente para poder dirigir de volta pra casa. Lógico, passei o resto do dia chorando e quase chorando, mas com o passar do tempo, junto com o apoio inicial e a cada nova informação que encontrava, melhorei ao ponto de ir para a academia no mesmo dia.

Prólogo – A descoberta

Nunca me importei com o passar dos anos. Quando tinha 12, queria ter 13. Quando tinha 17, queria ter 18. Quando tinha 26, no entanto, me peguei com a crise dos 27 e fiquei meio confusa por não entender os motivos que me levavam a querer frear o tempo.

ImageEm maio deste ano, tomada por uma sensação de “preciso começar a me mexer”, pensei em financiar um apartamento e deixá-lo alugado enquanto não chegava a hora de sair da casa da mãe. “Ahá! Sou madura e vou investir em imóveis”, pensei. Cheguei a ir olhar um apê e dar início às conversas quando… “BUM!”, alterações na empresa me fizeram entrar no aviso prévio.

Parem as máquinas! –  Negociações canceladas, precisava pensar no próximo passo. Sempre quis fazer intercâmbio e senti que era A HORA certa. Sem emprego, sem planos de casamento (isso não é uma indireta), sem filhos e com reservas financeiras suficientes para realizar um sonho sem incomodar ou depender da família. Mais uma vez, meu senso de urgência me fez conversar com agências e com um monte de pessoas que já tinham morado em Dublin, o destino escolhido. Pra melhorar: consegui uma bolsa de estudos em uma das melhores escolas da Irlanda e as passagens aéreas estavam em promoção. Tudo se encaixando, tudo dando certo. Muito certo!

Parece uma coincidência forjada, mas minha descoberta se deu justamente no dia em que eu estava prestes a comprar as passagens. Saí de casa para ir ao laboratório após olhar o site da KLM. “Na volta eu compro”. Opa, parece que não, hein!

Depois de muito pensar sobre quais pessoas saberiam, encontrei a resposta: TODO MUNDO DEVE SABER! “Pq, Savana? Vc é exibida? Vc gosta de se expor?”. Bem, durante as minhas pesquisas, encontrei muitos lamentos e pouca informação relevante, principalmente sobre Salvador e as formas de tratamento por aqui. Se fiz jornalismo e gosto de contar as histórias dos outros, pq não aproveitar o embalo para contar a minha, né?

Para o post inicial não ficar muito longo, terei que fazer uma segunda parte sobre o percurso que me levou ao diagnóstico mais assustador que um leigo pode ter: carcinoma papilífero. E agora?